Biotecnologia

Vacina contra melanoma faz Moderna disparar 150% e abre nova fase para terapias de mRNA

Por Redação - Em 19/08/2026 às 4:42 PM

Vacina contra a doença de Alzheimer

Vacina contra a doença de Alzheimer

A tecnologia que colocou a Moderna no centro da corrida pelas vacinas contra a Covid-19 pode abrir uma nova frente bilionária para a companhia. Resultados positivos de fase 3 de uma terapia personalizada de mRNA contra o melanoma fizeram as ações da farmacêutica dispararem nesta quarta-feira (19), com valorização intradiária próxima de 160%.

Desenvolvido em parceria com a Merck, o intismeran autogene, anteriormente conhecido como V940 ou mRNA-4157, foi testado em combinação com o imunoterápico Keytruda (pembrolizumabe) em pacientes com melanoma de alto risco que tiveram o tumor removido cirurgicamente.

O estudo atingiu tanto o objetivo principal, relacionado ao período sem recorrência da doença, quanto um dos principais objetivos secundários, que avaliou o tempo sem ocorrência de metástases à distância. Segundo as empresas, a combinação apresentou melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante em comparação ao tratamento apenas com Keytruda.

O anúncio levou os papéis da Moderna a chegarem a US$ 161,32, com alta intradiária de 158%, segundo o Brazil Journal. As ações da Merck também reagiram e avançaram cerca de 12%.

A diferença do intismeran está justamente na personalização. Em vez de utilizar uma formulação idêntica para todos os pacientes, a terapia é desenvolvida a partir das características genéticas específicas do tumor de cada pessoa.

O processo identifica mutações capazes de gerar neoantígenos — estruturas que podem ser reconhecidas pelo sistema imunológico. A partir dessas informações, é produzida uma terapia de mRNA individualizada destinada a ensinar o organismo a identificar e atacar células tumorais.

O Keytruda atua de maneira complementar. O medicamento da Merck é uma imunoterapia anti-PD-1 que retira uma espécie de “freio” do sistema imunológico, aumentando sua capacidade de combater células cancerígenas.

A combinação das duas estratégias procura, portanto, atacar o câncer por caminhos diferentes: enquanto o intismeran direciona o sistema imunológico para características específicas do tumor, o Keytruda amplia a capacidade de resposta das células de defesa.

Fase 3 envolveu mais de mil pacientes

O estudo INTerpath-001 reuniu 1.137 pacientes com melanoma completamente removido nos estágios IIB a IV e comparou o tratamento combinado com o uso isolado de Keytruda. As empresas informaram que não foram identificados novos sinais relevantes de segurança.

Os percentuais detalhados de eficácia da fase 3, porém, ainda não foram divulgados. Moderna e Merck pretendem apresentar os dados completos em um congresso médico internacional e iniciar discussões com autoridades regulatórias sobre pedidos de aprovação.

Resultados anteriores já haviam elevado as expectativas em torno da tecnologia. O acompanhamento de cinco anos do estudo de fase 2b mostrou que a combinação reduziu em 49% o risco de recorrência ou morte em comparação com Keytruda sozinho.

Resultado muda perspectivas da Moderna

Para a Moderna, o avanço tem importância que ultrapassa o potencial de uma nova terapia oncológica. A companhia busca há anos diminuir sua dependência dos produtos ligados à Covid-19 e provar que sua plataforma de RNA mensageiro pode sustentar medicamentos em outras áreas.

A reação das ações reflete essa mudança de perspectiva. Além de representar o primeiro resultado positivo de fase 3 para uma terapia oncológica baseada em mRNA, o estudo também é o primeiro nessa etapa de desenvolvimento a mostrar benefício de uma terapia individualizada de neoantígenos.

A Merck também tem interesses estratégicos no avanço. O Keytruda é um dos medicamentos mais importantes de seu portfólio, e uma combinação capaz de ampliar sua eficácia pode ajudar a prolongar o valor comercial da franquia à medida que se aproxima o vencimento de patentes importantes.

Mercado começa a calcular potencial bilionário

Embora ainda existam etapas regulatórias antes de uma eventual comercialização, investidores já começam a dimensionar o tamanho econômico da tecnologia. Estimativas citadas pela Reuters apontam que o tratamento pode alcançar US$ 3 bilhões em vendas anuais até 2035. As companhias ainda não definiram preço e uma eventual chegada ao mercado pode ocorrer a partir de 2027, caso obtenham as aprovações necessárias.

O impacto potencial vai além do melanoma. Estudos com terapias personalizadas de mRNA estão sendo conduzidos em outros tumores, o que transforma o resultado da fase 3 em uma prova importante para uma plataforma tecnológica mais ampla.

Depois de revolucionar a velocidade de desenvolvimento de vacinas durante a pandemia, o RNA mensageiro começa agora a enfrentar um teste diferente: demonstrar que pode ser transformado em uma ferramenta personalizada contra o câncer. Para a Moderna, a alta superior a 150% na Bolsa traduz a dimensão da expectativa de que essa segunda revolução esteja começando.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business