MINERAÇÃO BRASILEIRA

Vale projeta 2,3 milhões de novas vagas e R$ 1,3 trilhão em arrecadação com expansão da mineração

Por Redação - Em 18/08/2026 às 1:41 PM

Mineradora Vale

De acordo com a Vale, a mineração gerou aproximadamente R$ 750 bilhões em arrecadação ao longo da última década. Para o ciclo entre 2026 e 2035, a projeção chega a R$ 1,3 trilhão

A Vale apresentou nesta terça-feira (18), em Brasília, uma agenda para ampliar a escala da mineração brasileira até 2035, com potencial para adicionar 2,3 milhões de postos de trabalho e elevar para 5,3 milhões o impacto total do setor sobre o emprego no País. A projeção também aponta para R$ 1,3 trilhão em arrecadação fiscal entre 2026 e 2035.

Batizado de “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, o estudo foi desenvolvido com colaboração da Accenture e reúne 15 iniciativas distribuídas em quatro frentes estratégicas. A proposta passa por licenciamento ambiental, infraestrutura, energia, regulação, tributação, minerais críticos e fortalecimento institucional.

Segundo as estimativas apresentadas pela companhia, a implementação de uma agenda coordenada entre poder público, iniciativa privada e sociedade poderia levar o valor anual da produção mineral brasileira dos atuais cerca de R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões em 2035, avanço próximo de 78%.

O documento foi lançado durante fórum realizado na capital federal, reunindo representantes do governo, empresas e especialistas. A Vale informou ainda que pretende entregar o material aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.

Arrecadação pode alcançar R$ 1,3 trilhão

O impacto fiscal é um dos principais argumentos econômicos apresentados no levantamento. De acordo com a Vale, a mineração gerou aproximadamente R$ 750 bilhões em arrecadação ao longo da última década. Para o ciclo entre 2026 e 2035, a projeção chega a R$ 1,3 trilhão.

A companhia estima que, caso esse volume fosse integralmente convertido em investimentos públicos, teria valor equivalente à criação de 23,1 milhões de vagas em escolas de tempo integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 870 mil leitos hospitalares ou à pavimentação de 478 mil quilômetros de vias.

No mercado de trabalho, a expansão também teria efeito relevante. Atualmente, a mineração responde por um impacto estimado em cerca de 3 milhões de empregos, considerando postos diretos, indiretos e induzidos. No cenário traçado pelo estudo, esse contingente poderia alcançar 5,3 milhões até 2035.

Para o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, o momento internacional abre espaço para o Brasil ampliar sua participação na indústria mineral. Segundo o executivo, uma agenda estruturada para o setor pode combinar geração de renda e empregos com crescimento econômico e compromissos ambientais.

15 iniciativas para ampliar competitividade

As propostas foram organizadas em quatro eixos. O primeiro trata de licenciamento e fundamentos da mineração, incluindo padronização dos processos de licenciamento, fortalecimento de órgãos públicos envolvidos nas análises e maior integração entre empresas e o Serviço Geológico do Brasil no mapeamento do território.

A segunda frente busca desenvolver uma cadeia mineral integrada, com incentivos à transformação dos minerais dentro do País, melhores condições de acesso à energia de baixo carbono e a elaboração de um plano diretor de infraestrutura voltado ao setor.

O terceiro eixo concentra medidas relacionadas ao ambiente de negócios e à segurança institucional. Entre elas estão a implementação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM), atualizações regulatórias e uma agenda específica para os efeitos da reforma tributária sobre a atividade.

A quarta frente aborda a geração de valor compartilhado nos territórios mineradores, incluindo propostas para qualificar a aplicação dos recursos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), estabelecer projetos estruturantes associados a contrapartidas socioambientais e fortalecer padrões de mineração responsável.

Minerais críticos

A discussão ocorre em um momento de crescente disputa internacional por minerais utilizados na transição energética e em tecnologias avançadas. Lítio, níquel, grafite, cobre, cobalto e terras raras ganharam relevância por sua utilização em baterias, sistemas de energia renovável e diferentes segmentos industriais.

O desafio brasileiro, entretanto, vai além de ampliar a extração. O governo federal vem defendendo o desenvolvimento das etapas industriais da cadeia para que uma parcela maior do valor agregado permaneça no País.

Nesse contexto, ganha importância o chamado midstream, etapa intermediária que engloba processos como separação, purificação, refino e transformação dos minerais em óxidos, metais e ligas. Estudos do Ministério de Minas e Energia apontam o desenvolvimento desse elo como uma das condições para ampliar a posição brasileira no mercado internacional.

A Vale, por sua vez, tem sinalizado que identifica oportunidades principalmente no upstream, que compreende mineração, concentração e beneficiamento. A diferença de estratégias evidencia um dos principais pontos do debate para os próximos anos: como transformar a disponibilidade de recursos minerais do Brasil em uma cadeia industrial de maior valor agregado.

Com demanda crescente por minerais estratégicos e reservas relevantes no território nacional, o avanço dessa agenda dependerá agora de questões que historicamente limitam novos projetos no País, como previsibilidade regulatória, infraestrutura, licenciamento, financiamento e capacidade de processamento industrial. O plano apresentado pela Vale tenta colocar esses entraves no centro da discussão sobre o próximo ciclo de investimentos da mineração brasileira.

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