Varejo de luxo
Vivara registra margem bruta recorde ao usar estoque de ouro e evitar novas compras do metal
Por Redação - Em 06/08/2026 às 10:25 AM

Mesmo com o desempenho recorde, a empresa reconhece que a estratégia baseada em estoques possui prazo limitado
A estratégia de antecipar compras de ouro antes da disparada dos preços internacionais deu à Vivara uma vantagem rara no setor de joias. A companhia deixou de adquirir o metal nos últimos meses e passou a utilizar o estoque acumulado, movimento que ajudou a elevar a margem bruta para 73,6% no segundo trimestre de 2026, o maior patamar já registrado pela empresa. A informação foi apresentada pelo diretor financeiro (CFO), Elias Leal Lima, durante a divulgação dos resultados da companhia.
Enquanto fabricantes e varejistas enfrentam custos crescentes com o avanço das cotações do ouro, a Vivara conseguiu reduzir o impacto sobre sua operação graças ao planejamento de estoques. Segundo o executivo, a empresa havia adquirido matéria-prima quando os preços estavam inferiores aos atuais, o que permitiu suspender temporariamente novas compras e preservar a rentabilidade mesmo em um ambiente de forte pressão sobre as commodities.
A companhia também vem reduzindo sua dependência do metal por meio de iniciativas de engenharia de produto. De acordo com a administração, determinadas coleções passaram a utilizar entre 20% e 30% menos ouro, sem comprometer o design ou a percepção de valor das peças. A estratégia diminui a exposição à volatilidade da commodity e amplia a eficiência da produção.
Outro diferencial está na gestão dos estoques. A Vivara informou anteriormente possuir matéria-prima suficiente para cerca de oito meses de produção, além de manter um programa de reaproveitamento de ouro proveniente do derretimento de peças acabadas. Com isso, a companhia estima ter uma proteção de aproximadamente 18 meses para adaptar gradualmente seus preços às novas condições do mercado internacional.
A eficiência operacional também faz parte da estratégia. No primeiro trimestre de 2026, a empresa reduziu seus estoques para 601 dias, ante 679 dias registrados um ano antes, e trabalha com a meta de alcançar um intervalo entre 400 e 450 dias nos próximos 18 a 24 meses. A medida busca liberar capital de giro sem comprometer a disponibilidade de produtos nas lojas.
A verticalização continua sendo outro fator decisivo para os resultados da companhia. Ao controlar etapas como desenvolvimento, fabricação e distribuição das joias, a Vivara ganha flexibilidade para administrar oscilações nos custos das matérias-primas e implementar ajustes de produção com maior rapidez do que concorrentes que dependem exclusivamente de fornecedores externos.
Mesmo com o desempenho recorde, a empresa reconhece que a estratégia baseada em estoques possui prazo limitado. À medida que o ouro adquirido anteriormente for consumido, novas compras passarão a refletir as cotações vigentes. Nesse cenário, ganhos de produtividade, inovação no desenvolvimento das peças e gestão eficiente da cadeia de suprimentos deverão continuar sendo fundamentais para preservar as margens nos próximos trimestres.
Mais notícias
Shopping Centers

























