Fashion Business
Chanel compra a histórica Charvet e incorpora quase dois séculos de tradição na camisaria de luxo
Por Jussara Beserra - Em 02/07/2026 às 12:07 PM

Chanel incorpora a tradição centenária da Charvet ao seu portfólio – Fotos: Reprodução
No mercado de luxo, tradição também muda de mãos. A Chanel acaba de incorporar a Charvet, considerada a camisaria em atividade mais antiga do mundo. Fundada em Paris na década de 1830, a maison atravessou quase dois séculos vestindo chefes de Estado, empresários, membros da realeza e personalidades da cultura, consolidando um legado associado à camisaria sob medida, gravatas, roupas de dormir e ao domínio de técnicas artesanais preservadas ao longo de gerações.
Embora os valores da negociação não tenham sido divulgados, a operação amplia a presença da Chanel no mercado masculino e revela uma estratégia cada vez mais presente na indústria do luxo. As grandes maisons passaram a investir na aquisição de empresas que reúnem história, credibilidade, conhecimento técnico e um patrimônio artesanal impossível de reproduzir em curto prazo. A aproximação entre as duas casas já havia sido sinalizada por uma colaboração recente, cuja coleção registrou rápida aceitação no mercado.

A histórica Charvet inicia um novo capítulo sob a Chanel
Ao incorporar a Charvet, a Chanel fortalece sua atuação em categorias como camisas, gravatas, roupas de dormir e acessórios, ao mesmo tempo em que absorve um dos maiores símbolos da alfaiataria masculina de luxo. A operação também garante à maison francesa o controle sobre um acervo de processos produtivos, técnicas artesanais e um savoir-faire desenvolvido ao longo de quase 200 anos.
O movimento acompanha uma tendência crescente entre as principais casas internacionais de moda, que vêm ampliando o controle sobre etapas estratégicas da produção para preservar internamente o conhecimento artesanal responsável por diferenciar suas criações em um mercado cada vez mais competitivo. Nesse cenário, fornecedores históricos e manufaturas tradicionais passaram a ocupar posição central nas estratégias de crescimento dos grandes grupos de luxo.
A aquisição ocorre em um momento positivo para a Chanel. Depois de um período de desaceleração, a companhia voltou a registrar crescimento nas vendas e encerrou o último exercício com US$ 19,3 bilhões em receita, ampliando os investimentos em ativos considerados essenciais para sustentar sua posição entre as maiores marcas de luxo do mundo.
História se torna um ativo
A compra da Charvet evidencia uma transformação importante na indústria do luxo. Hoje, as grandes marcas não disputam apenas consumidores. Disputam legitimidade, tradição, patrimônio cultural e a capacidade de preservar conhecimentos que atravessam gerações.
Em um setor no qual exclusividade e autenticidade são ativos estratégicos, incorporar uma empresa com quase 200 anos de história representa uma vantagem competitiva que não pode ser construída apenas por meio de campanhas de marketing ou do lançamento de novos produtos.
Ao integrar a Charvet ao seu portfólio, a Chanel incorpora um legado consolidado pela alfaiataria francesa e amplia sua capacidade de oferecer produtos que conciliam inovação, herança artesanal e credibilidade histórica, combinação cada vez mais valorizada pelos consumidores de alta renda e um dos pilares que sustentam o mercado global de luxo.
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