Paris Haute Couture Week
Dior renova os códigos da alta-costura na coleção Inverno 2026 de Jonathan Anderson
Por Jussara Beserra - Em 07/07/2026 às 1:17 PM

A coleção explora formas orgânicas e o trabalho manual como eixo da nova fase da Dior – Fotos: Divulgação/Dior
A segunda coleção de Jonathan Anderson para a alta-costura da Dior confirma uma direção criativa cada vez mais definida. Apresentada na segunda-feira (6), durante a Semana de Alta-Costura de Paris, a coleção de Inverno 2026 revela uma maison interessada em reinterpretar seus códigos históricos por meio de uma criação menos cenográfica e mais conectada ao luxo contemporâneo.
Sem romper com o legado de Christian Dior, o estilista britânico preserva elementos históricos da casa, como os drapeados, os cortes em viés e a inspiração botânica, uma referência à paixão do fundador por flores e jardins. Ao mesmo tempo, amplia esse repertório ao incorporar tricôs e peças em cashmere às criações sob medida da marca, aproximando materiais tradicionalmente associados ao guarda-roupa cotidiano do universo da alta-costura.
Moda e arte

A inspiração em Lynda Benglis orienta volumes, texturas e a paleta da alta-costura Inverno 2026
O ponto de partida da coleção é a obra da escultora norte-americana Lynda Benglis, conhecida por transformar superfícies bidimensionais em formas tridimensionais por meio de amarrações, plissados e moldagens. Anderson traduz esse princípio para a passarela ao explorar plissês feitos à mão, drapeados e amarrações, criando silhuetas que parecem ganhar forma diretamente sobre o corpo.
A influência da artista também se estende à paleta de cores e aos bordados. A série Peacock, desenvolvida por Benglis a partir de suas temporadas em Ahmedabad, na Índia, inspira aplicações florais e trabalhos com miçangas em tons vibrantes. A cidade indiana conduz outra frente de pesquisa do diretor criativo, desta vez voltada à tradição das chitas do século XVIII, tecidos de algodão pintados à mão ou estampados em blocos que exerceram forte influência sobre as artes decorativas europeias.
Esse patrimônio têxtil aparece reinterpretado em acessórios icônicos da maison. Fragmentos históricos de chita e indiennes, adquiridos de um antiquário especializado, revestem versões das bolsas Lady Dior Mini e Petit Dîner, aproximando memória artesanal e design contemporâneo.
A era de Jonathan Anderson

Jonathan Anderson acompanha os ajustes finais da coleção de alta-costura Inverno 2026
A dualidade entre a exuberância de Ahmedabad e a paisagem árida de Santa Fe, no Novo México, onde Lynda Benglis mantém residência e ateliê, também orienta a construção cromática da coleção e seus elementos florais. O contraste entre esses cenários amplia a narrativa visual do desfile e reforça a proposta de Jonathan Anderson de transformar referências culturais e artísticas em matéria-prima para suas criações.
Em seu segundo desfile de alta-costura para a Dior, o estilista demonstra maior domínio do patrimônio criativo da maison e consolida uma assinatura própria. A apresentação aponta para uma nova fase da casa francesa, na qual tradição, pesquisa e inovação convivem de forma equilibrada, reafirmando esse segmento da moda como um espaço permanente de experimentação artística e valorização do savoir-faire.
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