RAÍZES E MEMÓRIAS

Manoela Arruda Moreira e Rafael Campos celebram casamento ao pôr do sol com referências cearenses nas dunas de Carrapateiras

Por Jussara Beserra - Em 11/08/2026 às 1:18 PM

Cerimônia

Manoela Arruda Moreira e Rafael Campos trocam votos ao pôr do sol em Carrapateiras – Fotos: Arquivo Pessoal

As dunas de Carrapateiras, no Acaraú, receberam no sábado (8) cerca de 500 convidados para o casamento de Manoela Arruda Moreira e Rafael Campos. A escolha do destino recupera uma história iniciada pelos avós maternos da noiva, Esmerino e Carmen Arruda, que também se casaram naquele litoral e transmitiram aos filhos e netos uma forte ligação com o lugar.

A programação começou na quinta-feira (6), com uma pré-party ao som de Xande de Pilares. Durante o fim de semana, boa parte dos convidados ficou hospedada no Preá, enquanto a chegada para o casamento também provocou intensa movimentação de aeronaves particulares.

Ceará como linguagem

Rafael Campos E Manoela Arruda Moreira (1)

O beijo dos noivos após a cerimônia nas dunas

Coordenado por Iná Arruda, mãe de Manoela, e pela própria noiva, o projeto incorporou referências cearenses desde o convite, ilustrado por uma carnaúba, árvore presente na memória afetiva dos Arruda, proprietários de um carnaubal naquele trecho do Estado. Na chegada à cerimônia, uma jangada utilizada como suporte para bebidas já antecipava a proposta estética.

O casamento aconteceu ao pôr do sol, tendo dunas, mar e coqueirais como cenário. A cerimônia foi conduzida pelo Padre Omar, reitor do Santuário do Cristo Redentor e próximo dos Arruda, ao som de uma orquestra de 15 músicos comandada por Isaías, de Caucaia. No altar, capins e mobiliário esculpido pelo Mestre Jasson dialogavam diretamente com a paisagem.

Depois do “sim”, os convidados seguiram por uma passarela até a estrutura montada para a festa. Cataventos, esferas de renda e cortinas de macramê com seis metros de altura marcavam a entrada.

Com decoração de Gil Santos e projeto desenvolvido com a Arquitetura Efêmera, Iná Arruda e Manoela, a ambientação privilegiou o trabalho de artesãos locais e peças carregadas de memória. Renda filé, cerâmica rendada, areia colorida, couro, barro, crochê em palha de buriti e referências à literatura de cordel percorriam os espaços. Objetos da Fazenda Parazinho, dos Arruda, em Granja, também foram incorporados.

Estandartes de renda que durante anos ornamentaram as casas dos avós apareceram sobre a mesa de doces. Um painel reuniu diferentes técnicas de renda típicas do Ceará, acompanhado por trabalhos de Espedito Seleiro e Mestre Espedito André Cardoso, peças de cerâmica rendada da família Muniz e garrafões de areia colorida de Mestre Paulo. Nas mesas, pequenas pedras do Cariri personalizadas identificavam os lugares dos convidados.

Arte e paisagem

No centro da festa, um lustre de aproximadamente cinco metros, confeccionado com cerca de 20 mil escamas de camurupim, peixe característico do litoral cearense, tornou-se uma das principais intervenções visuais da noite.

A arte ganhou outra conexão afetiva a partir da coleção de obras de Chico da Silva pertencente ao avô de Manoela, que foi amigo do artista. As pinturas inspiraram estampas aplicadas nos banheiros, acompanhadas por espelhos de palha.

Nas dunas brancas, a light designer Claudia Rodrigues utilizou videomapping e grafismos para integrar iluminação e cenário. A pista, revestida por um tapete inspirado nas tramas da renda, permaneceu movimentada ao som do DJ Khal. O cerimonial ficou a cargo da B3, com registros de Rodrigo Sack.

O encontro reuniu diferentes gerações dos Arruda e nomes conhecidos da sociedade. Estiveram por lá Gony Arruda e Ana Lívia Delgado, Iná Valéria Arruda, Iná Cristina Arruda Miranda, Francisco Muniz Freire Barbosa, Mariana Fux, Kitty Monte Alto, deputado federal Júlio Lopes, Priscila Levingston, Joana Lowndes, Simone Cavalcante, Betina Schmidt, Roger Flores, Maria Geyer, Thaís Araújo, Felipe Arruda, Beatriz Vianna, Bryan Sather, Ana Carolina Arruda, Luís Cláudio Moreira, Ana Paula Arruda Barbosa e Marcela Verdi Zago, além de outros convidados.

Manoela Arruda Moreira e Rafael Campos transformaram o casamento em uma narrativa sobre pertencimento, costurada pelo artesanato, pela arte e pelas lembranças construídas no litoral cearense.

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