Cultura em desfile

P. Andrade leva a diversidade das festas populares brasileiras para a passarela da Paris Fashion Week

Por Jussara Beserra - Em 29/06/2026 às 9:50 AM

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A cultura popular brasileira inspirou a nova coleção da P. Andrade apresentada na Paris Fashion Week – Fotos: Index/Divulgação

As festas populares brasileiras ocuparam uma das passarelas mais relevantes da moda masculina internacional. Na nova edição da Paris Fashion Week, a P. Andrade transforma máscaras, personagens, rituais e símbolos de diferentes regiões do país em uma coleção que propõe um novo olhar sobre a cultura brasileira, distante dos estereótipos tradicionalmente associados ao Brasil.

Assinada por Pedro Andrade e Paula Kim, a coleção nasce de uma pesquisa dedicada às manifestações culturais brasileiras e percorre um universo de tradições populares que vai além do imaginário do Carnaval. A proposta reúne referências visuais presentes em celebrações regionais e leva à passarela narrativas ainda pouco conhecidas pelo público internacional.

A apresentação ganhou um elemento simbólico com a participação do ator e cineasta francês Pierre Richard, responsável por abrir o desfile com um texto que estabelece um diálogo entre cinema, moda e cultura brasileira. Admirador do Brasil, Richard foi escolhido pela afinidade com a pesquisa desenvolvida pela marca e pelo interesse em iniciativas ligadas aos povos originários.

A coleção também incorpora iniciativas realizadas em parceria com o Instituto Riachuelo, utilizando algodão agroecológico cultivado no Rio Grande do Norte, corantes naturais produzidos na Paraíba e bordados confeccionados por artesãs de Timbaúba dos Batistas. O desfile ainda apresentou colaborações com Levi’s, Havaianas e a francesa Phileo, além de antecipar uma aproximação com a Nike, conectando a tradição artesanal brasileira à indústria global da moda.

Depois de entrar para a história como a primeira marca brasileira a integrar o calendário oficial masculino da Paris Fashion Week, a P. Andrade reafirma um movimento que ganha espaço na moda contemporânea: transformar patrimônio cultural em linguagem criativa de alcance internacional, colocando o Brasil como produtor de narrativas capazes de dialogar com o mercado global sem abrir mão de sua identidade.

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