Na Câmara dos Deputados

Votação da PEC do SUAS coloca em jogo modelo permanente de financiamento social

Por Julia Fernandes Fraga - Em 08/04/2026 às 3:58 PM

andré

O relator se reuniu com o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, para tratar da pauta. Foto: Divulgação

Seguindo na Câmara dos Deputados, a PEC do SUAS (383/2017) entra nesta quarta-feira (8) em sua fase decisiva. A inclusão da proposta na pauta do plenário coloca em jogo a institucionalização de um modelo permanente de financiamento da assistência social no Brasil, com impacto direto sobre a estrutura de proteção social do país.

A confirmação da votação foi feita pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante reunião de líderes realizada na terça-feira (7), da qual participou o relator da matéria, o deputado federal André Figueiredo (PDT-CE). O movimento marca a transição da proposta do campo da articulação política para o da decisão institucional.

No centro do debate está a criação de uma base estável de financiamento para o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), historicamente dependente de repasses variáveis. O texto estabelece a destinação escalonada de recursos até atingir 1% da receita corrente líquida da União, com percentuais progressivos de 0,30%, 0,50% e 0,75%.

Com articulação de André Figueiredo, PEC da assistência social avança na Câmara Federal

Política de Estado

A proposta quer consolidar a assistência social como política pública permanente, com capacidade de planejamento e execução contínua em programas voltados à população em situação de vulnerabilidade.

Enquanto relator do projeto, André Figueiredo intensificou a articulação na véspera da votação, em reunião com o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias.

O parlamentar cearense defende que “a assistência social não pode continuar dependendo de esforços pontuais, de busca permanente por recursos e da incerteza orçamentária”. Para ele, “a votação da PEC do SUAS no Plenário representa a chance de dar mais estabilidade, planejamento e força a uma política pública essencial para milhões de brasileiros”.

Impacto direto

A eventual aprovação da PEC do SUAS tende a impactar estados e municípios, responsáveis pela execução dos serviços. Com maior previsibilidade de recursos, a expectativa é de fortalecimento da rede socioassistencial brasileira. 

Questionado sobre a responsabilidade fiscal, André Figueiredo apresenta um modelo escalonado como forma de adaptação progressiva do orçamento. “A assistência social não pode ser vista como despesa, mas como investimento na dignidade humana e na estabilidade social do país”, pontuou.

A análise em plenário mobiliza gestores e entidades do setor e pode redefinir o papel da assistência social dentro da estrutura do Estado brasileiro. Se aprovada, a proposta reposiciona a política dentro da arquitetura estatal, com regra de financiamento definida e maior capacidade de resposta às demandas sociais.

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Tensão energética

Irã volta a fechar Ormuz e eleva risco de ruptura no cessar-fogo no Oriente Médio

Por Redação - Em 08/04/2026 às 3:45 PM

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores energéticos do mundo, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo global transportado por via marítima

O Irã voltou a interromper o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8), intensificando a crise geopolítica no Oriente Médio e ampliando os riscos para o abastecimento global de energia. A medida ocorre após novos ataques de Israel ao Líbano, que Teerã classificou como violação do cessar-fogo firmado recentemente.

Segundo fontes ligadas ao governo iraniano, a decisão inclui o bloqueio do trânsito marítimo sem autorização, com ameaças diretas da Marinha de destruir embarcações que tentarem cruzar a rota estratégica. Ainda assim, alguns navios previamente autorizados conseguiram atravessar o estreito sob supervisão iraniana.

O Estreito de Ormuz é considerado um dos principais corredores energéticos do mundo, responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo global transportado por via marítima. Qualquer restrição na região tende a provocar forte impacto nos preços internacionais do petróleo e no custo de combustíveis.

A escalada atual se insere em um conflito mais amplo iniciado no fim de fevereiro, quando ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos desencadearam uma reação militar em cadeia. Desde então, o estreito passou a ser utilizado por Teerã como instrumento de pressão estratégica, com bloqueios parciais e controle seletivo do tráfego marítimo.

Além da dimensão econômica, o movimento amplia a instabilidade diplomática na região. Autoridades iranianas já indicaram que podem romper definitivamente o cessar-fogo caso as ofensivas israelenses no Líbano continuem, o que elevaria o risco de um conflito regional mais amplo.

O episódio reacende o alerta no mercado global de energia, que acompanha a possibilidade de novos choques de oferta em um cenário já pressionado por tensões militares e incertezas geopolíticas.

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Alívio tributário

Decreto que zera imposto sobre combustível de aviação é publicado

Por Redação - Em 08/04/2026 às 3:23 PM

Avião, Aviação, Aeronave Foto Foto Agência Brasil

A redução de impostos federais sobre o querosene é temporária, valendo de 8 de abril a 31 de maio FOTO: Agência Brasil

O governo federal publicou, nesta quarta-feira (8), o decreto que regulamenta a desoneração de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV), combustível que abastece aviões e demais aeronaves.

A medida faz parte do pacote anunciado esta semana para para conter os efeitos da alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.

De acordo com texto publicado no Diário Oficial da União (DOU), a redução de impostos federais sobre o querosene é temporária, valendo de 8 de abril a 31 de maio.

No dia 1º de abril, a Petrobras reajustou em de 55% o QAV. O combustível, derivado do petróleo, representa cerca de 45% dos custos das companhias aéreas, de acordo com a associação que representa o setor.

O preço do QAV é estipulado pela Petrobras mensalmente. Este último reajuste acontece no momento em que o mundo enfrenta uma escalada no preço do barril do petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.

A região concentra países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial, o que levou a distorções na cadeia de petróleo e a escalada de preços no mercado global.

A Petrobras tem participação de cerca de 85% da produção do QAV, mas o mercado é aberto à livre concorrência, sem restrições para outras empresas atuarem como produtoras ou importadoras.

Para compensar o fim da cobrança de impostos sobre o QAV, o governo federal anunciou a elevação da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do cigarro, que subirá de 2,25% para 3,5%, com o preço mínimo da carteira passando de R$ 6,50 para R$ 7,50.

Outras medidas

Além da redução de impostos para o setor aéreo, o conjunto de iniciativas do governo federal prevê subsídios para diesel e gás de cozinha, incluindo a criação de uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, com divisão igual de custos entre União e estados.

O benefício será válido inicialmente por dois meses e pode chegar a R$ 4 bilhões. Inicialmente, o Ministério da Fazenda tinha informado que esse subsídio custaria R$ 3 bilhões.

Também foi anunciada uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com custo estimado de R$ 3 bilhões mensais.

Em ambos os casos, empresas deverão repassar a redução ao consumidor.

Para o gás liquefeito de petróleo (GLP), será concedido subsídio de R$ 850 por tonelada para o produto importado. A medida busca equiparar o preço ao GLP nacional e reduzir o impacto no custo do gás de cozinha, especialmente para famílias de baixa renda.

O pacote também prevê até R$ 9 bilhões em crédito para companhias aéreas, com recursos operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil. (Agência Brasil)

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