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Diálogo entre diplomatas tenta destravar agenda comercial entre Lula e Trump

Por Marcelo Cabral - Em 01/02/2026 às 5:41 PM

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, manteve neste sábado (31) uma conversa telefônica com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. De acordo com nota divulgada pelo Itamaraty, o diálogo abordou temas relacionados ao comércio exterior e à cooperação bilateral na área de segurança. Trataram, ainda, de aspectos preparatórios da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, prevista para março, ainda sem data oficialmente anunciada.

Mauro Vieira e Marco Rubio durante encontro realizado na Casa Branca        Foto: Divulgação/Itamaraty

O contato direto entre os dois chanceleres ocorre em um contexto de desconforto diplomático provocado pela criação do chamado Conselho da Paz, órgão idealizado e presidido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, com o objetivo de gerir o futuro da Faixa de Gaza e de outros territórios globais.

Embora busque uma aproximação com Trump, especialmente no campo do comércio bilateral e das relações econômicas globais, Lula tem reiterado a posição histórica do Brasil em defesa da Organização das Nações Unidas como principal fórum do multilateralismo. O presidente brasileiro foi convidado a integrar o novo conselho, mas ainda não respondeu formalmente. Na semana passada, durante evento em Salvador, Lula chegou a manifestar críticas à proposta.

Conselho de Segurança da ONU

A conversa entre os chanceleres acontece poucos dias após um contato telefônico entre os próprios presidentes, realizado na última segunda-feira (26). Segundo o Palácio do Planalto, Lula defendeu, na ocasião, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, uma das pautas centrais da diplomacia brasileira. A situação da Venezuela também esteve em discussão, com o presidente brasileiro ressaltando a necessidade de preservação da paz na região.

Brasil e Estados Unidos manifestaram, ainda, interesse em avançar na cooperação para o combate ao crime organizado transnacional. O governo brasileiro tem enfatizado a importância do congelamento de ativos de organizações criminosas e do fortalecimento do intercâmbio de informações financeiras desses grupos entre os países.

A agenda de segurança regional é uma prioridade para Trump, especialmente no enfrentamento ao narcotráfico. Desde o início de seu mandato, o presidente norte-americano ampliou de forma significativa a presença militar na região, movimento que culminou, em 3 de janeiro, na captura do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos.

‘Tarifaço’ dos EUA

Apesar da diversidade de temas em debate, a principal questão de fundo nas relações entre Lula e Trump permanece sendo a política tarifária imposta pela Casa Branca. Em agosto do ano passado, por determinação do presidente norte-americano, os Estados Unidos aplicaram uma taxação de 50% sobre produtos brasileiros, com exceção de cerca de 700 itens.

Após encontros entre os dois líderes em eventos internacionais, a ampliação do ‘tarifaço’ para outros 238 produtos foi revertida. Ainda assim, diversos itens seguem sujeitos a sobretaxação em relação aos níveis anteriores, entre eles máquinas, móveis e calçados. (Com Agência Brasil)

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