Diplomacia Estratégica
Lula sela acordos sobre minerais críticos e IA na Coreia do Sul e eleva relação bilateral a parceria estratégica
Por Suzete Nocrato - Em 23/02/2026 às 10:19 AM

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em um movimento que reposiciona o Brasil no tabuleiro da geopolítica tecnológica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou novos entendimentos com a Coreia do Sul nas áreas de minerais críticos e inteligência artificial, durante visita de Estado a Seul — a primeira de um líder brasileiro ao país em 21 anos.
Ao lado do presidente sul-coreano Lee Jae Myung, Lula confirmou a elevação do relacionamento bilateral ao status de “parceria estratégica”, ampliando o escopo da cooperação para comércio, conteúdo cultural e aviação. “Hoje será registrado como um dia histórico, marcando um novo salto em nossas relações bilaterais”, disse Lee, falando ao lado de Lula em um anúncio conjunto à imprensa em Seul, nesta segunda-feira.
Minerais críticos
Após a reunião de cúpula, Brasil e Coreia do Sul assinaram 10 memorandos de entendimento, com ênfase em minerais críticos e inteligência artificial. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, insumo estratégico para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética.
No campo industrial, a Coreia do Sul abriga gigantes globais como Samsung Electronics e SK Hynix, dois dos maiores fabricantes de semicondutores do mundo — segmento-chave para cadeias produtivas digitais. ” Queremos atrair investimentos de empresas coreanas em minerais críticos”, disse Lula na reunião.
O presidente brasileiro também manifestou interesse em cooperação tecnológica avançada, destacando o setor de chips como prioridade estratégica.
Movimento coordenado na Ásia
A agenda em Seul sucede a passagem de Lula por Nova Déli, onde Brasil e Índia firmaram um pacto-quadro sobre minerais críticos, comprometendo-se a atuar de forma coordenada nesse mercado. A estratégia indica um reposicionamento diplomático voltado à consolidação de alianças no eixo asiático em setores de alto valor agregado.
Os novos acordos foram costurados poucos dias após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar diversas tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump. A decisão judicial reacendeu incertezas sobre os fluxos comerciais globais.
Na sequência, Trump anunciou planos para uma taxa global de 15%, mantendo praticamente inalterado o teto efetivo aplicado a produtos sul-coreanos.
O contexto reforça a necessidade de diversificação de parcerias estratégicas e de fortalecimento de blocos regionais.
Mercosul no radar
Durante o encontro, Lee solicitou a Lula a retomada célere das negociações para um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul — bloco fundado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai com o objetivo de promover livre comércio e integração econômica.
Lula também tem participação prevista em um fórum empresarial na capital sul-coreana, reforçando o caráter econômico da missão diplomática.
A visita marca o primeiro encontro de Estado de um presidente brasileiro na Coreia do Sul desde 2005. A última presença de Lula em Seul ocorreu em 2010, durante uma cúpula do G-20.
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