Aviação Executiva

Aviões se consolidam como ativos patrimoniais e impulsionam mercado de leasing no Brasil

Por Redação - Em 05/08/2026 às 12:01 AM

Phenom 300 Embraer Jato

Atualmente, as aeronaves representam atualmente 39% do mercado de leasing no país, enquanto máquinas e equipamentos respondem por 38%

A aviação executiva deixou de ser vista apenas como um meio de transporte para empresários e passou a ocupar espaço nas estratégias de gestão patrimonial de famílias de alta renda. Esse movimento tem impulsionado o mercado brasileiro de leasing de aeronaves, que, pela primeira vez, superou o segmento tradicional de máquinas e equipamentos em participação no arrendamento mercantil.

Dados apresentados pelo Bradesco, com base em estatísticas da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel), mostram que as aeronaves representam atualmente 39% do mercado de leasing no país, enquanto máquinas e equipamentos respondem por 38%. O banco afirma liderar esse segmento há mais de dez anos, com uma carteira de R$ 7,9 bilhões em operações e cerca de 60% de participação no mercado de leasing aeronáutico, equivalente a aproximadamente R$ 4 bilhões.

Segundo o diretor do Bradesco Global Private Bank, Leandro Karan, a mudança acompanha o crescimento da aviação executiva e uma nova visão sobre o papel das aeronaves na administração de grandes patrimônios. Em vez de serem tratadas apenas como bens de consumo, elas passaram a integrar estratégias de sucessão familiar, preservação de patrimônio e otimização de ativos.

Crédito e demanda

A evolução do mercado também levou instituições financeiras a ampliar sua oferta de produtos voltados ao segmento. Em maio, o Bradesco lançou uma linha de financiamento em dólar para aquisição e refinanciamento de jatos executivos, permitindo financiar até 75% do valor da aeronave, com prazos de amortização de até dez anos e o próprio avião como garantia da operação.

A iniciativa busca atender um público formado por empresários, famílias de elevado patrimônio e companhias que passaram a utilizar aeronaves próprias para otimizar deslocamentos, ampliar produtividade e reduzir a dependência da malha aérea comercial.

Mercado em expansão

O fortalecimento da aviação executiva ocorre em um momento de crescimento da indústria aeronáutica brasileira. A Embraer, líder mundial em jatos comerciais de até 150 assentos e uma das principais fabricantes de aeronaves executivas do mundo, vem registrando carteira recorde de pedidos e aumento da demanda internacional por seus modelos.

Na avaliação do mercado financeiro, a combinação entre expansão da frota, maior procura por mobilidade corporativa e a utilização das aeronaves como ativos patrimoniais deve sustentar o crescimento das operações de leasing nos próximos anos.

O movimento também reflete uma mudança de perfil dos clientes de alta renda. Mais do que adquirir um bem, investidores passaram a buscar estruturas financeiras que preservem liquidez e permitam administrar grandes ativos com maior eficiência, aproximando o mercado de aviação executiva das estratégias tradicionalmente adotadas para imóveis, embarcações e outros bens de alto valor.

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