estima cni
Empresas podem ter impacto de até R$ 267 bilhões com fim da escala 6×1
Por Redação - Em 23/02/2026 às 4:53 PM

No setor industrial, o aumento de custo pode ser ainda mais intenso, chegando a 11,1% da folha salarial FOTO: Agência Brasil
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a possível mudança na jornada de trabalho formal, com o fim da atual escala 6×1 e a redução da jornada semanal, pode gerar um impacto financeiro significativo para as empresas brasileiras. Segundo a entidade, os custos anuais com pessoal podem aumentar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões caso a nova regra seja implementada sem mecanismos de transição.
Esse incremento representaria um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos total da economia, o que pode pressionar despesas empresariais em um contexto de busca por competitividade. A projeção considera dois cenários distintos para manter o mesmo nível de horas trabalhadas: por meio de pagamento de horas extras aos funcionários atuais ou pela contratação de novos trabalhadores.
No setor industrial, o aumento de custo pode ser ainda mais intenso, chegando a 11,1% da folha salarial dependendo do modelo adotado pelas empresas. Mesmo nesse segmento, a estimativa aponta que o impacto pode variar entre R$ 58,5 bilhões e R$ 87,8 bilhões por ano de acordo com o tipo de ajuste na jornada.
Dos 32 setores econômicos analisados, 21 apresentariam elevação de custos superiores à média, refletindo a ampla influência que a alteração da jornada pode ter sobre a estrutura de despesas das empresas. Entre os ramos mais fortemente impactados estão: indústria da construção, com aumento estimado entre 8,8% e 13,2% nos custos salariais; indústria de transformação, com impacto de até 11,6% na folha; comércio, cujos custos podem subir entre 8,8% e 12,7%; e agropecuária, com elevação estimada entre 7,7% e 13,5%.
Diferença por porte de empresa
A análise da CNI também sugere que micro e pequenas empresas industriais seriam particularmente afetadas pela mudança. Esses negócios, que respondem por uma parte significativa do emprego formal no país, têm maior proporção de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais. Nesse cenário, os custos adicionais podem chegar a cerca de R$ 6,8 bilhões para empresas com até nove funcionários no caso de pagamento de horas extras, um aumento de 13% nos gastos com pessoal. Já em companhias com 250 ou mais empregados, o impacto nesse mesmo cenário pode alcançar R$ 41,3 bilhões (alta de 9,8%).
Quando se considera a contratação de novos trabalhadores para repor as horas, os custos também se elevam, ainda que em proporções menores: cerca de R$ 4,5 bilhões para micro empresas e R$ 27,5 bilhões para grandes empresas.
Pressões econômicas
O estudo levanta sinais de alerta sobre os reflexos da medida na produtividade, competitividade e nos indicadores macroeconômicos do país. A CNI afirma que, sem estratégias para compensar o aumento de custos de mão de obra, a produção pode ser reduzida, pressionando margens, mercado de trabalho e potencial de crescimento econômico.
A discussão sobre a jornada de trabalho está em pauta no Congresso Nacional e tem repercussão também entre especialistas e setores produtivos, à medida que diferentes propostas legislativas — desde redução imediata até transições gradativas — são debatidas entre parlamentares e representantes da sociedade.
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