Contas Públicas

Superávit fiscal de janeiro revela avanço do governo, mas expõe pressão das estatais

Por Suzete Nocrato - Em 27/02/2026 às 10:14 AM

Banco Central Bacen 1

Os dados foram divulgados pelo Banco Central, nesta sexta-feira. Foto: Agência Brasil

O setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 103,7 bilhões em janeiro, conforme dados divulgados nesta sexta-feira, 27, pelo Banco Central. O resultado, que desconsidera o pagamento dos juros da dívida, foi impulsionado principalmente pelo desempenho positivo da União e dos entes subnacionais, embora tenha sido impactado pelo déficit das empresas estatais.

Ainda que robusto, o saldo é ligeiramente inferior ao superávit de R$ 104,1 bilhões observado no mesmo período de 2025.

O indicador reúne os resultados fiscais da União, estados, municípios e estatais — excluindo o setor financeiro e a Petrobras.

No detalhamento, o resultado decorre dos superávits de R$ 87,3 bilhões do governo federal e de R$ 21,3 bilhões dos estados e municípios, contrapostos por um déficit de R$ 4,9 bilhões das estatais. Esse saldo negativo chama atenção por ser quase cinco vezes superior ao apresentado em janeiro de 2025 e se aproxima do rombo acumulado ao longo de todo o ano passado, que foi de R$ 5,1 bilhões.

Superávit primário

O conceito de superávit primário indica que as receitas com tributos e impostos superaram as despesas governamentais, lógica que também se aplica às estatais, considerando suas receitas provenientes de bens e serviços.

Cabe destacar que o levantamento do Banco Central não inclui grandes empresas federais como Petrobras e Eletrobras, retiradas do indicador desde 2009 por operarem sob regras semelhantes às de companhias privadas de capital aberto.

A interpretação oficial sustenta que o resultado negativo das estatais reflete um ciclo de investimentos mais acelerado e o pagamento de dividendos.

Paralelamente, o Ministério da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos (MGI) adota metodologia própria, que incorpora os lucros de bancos públicos e da Petrobras. Segundo o boletim das estatais, foi registrado lucro líquido de R$ 136,3 bilhões em 2025, crescimento de 22,5% em relação a 2024, sendo que a Petrobras responde por quase 70% desse total.

No acumulado de doze meses, o setor público consolidado apresenta déficit primário de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB.

Sob o critério nominal, que inclui as despesas com juros da dívida pública, o cenário de janeiro foi positivo, com superávit de R$ 40,1 bilhões. Ainda assim, no acumulado de um ano, o país mantém déficit nominal de R$ 1.086,2 bilhões, correspondente a 8,05% do PIB.

Os números revelam uma equação fiscal complexa: avanço nas receitas, pressão nos investimentos e o permanente desafio de equilibrar crescimento e responsabilidade nas contas públicas brasileiras.

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