Conflito Global
BRICS dividido diante do ataque dos EUA e Israel ao Irã e das retaliações de Teerã
Por Suzete Nocrato - Em 03/03/2026 às 8:41 AM

Líderes do Bloco dos BRICS se reúnem no Rio de Janeiro, em 2023. Foto: Agência Folha
O recente ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e as consequentes respostas militares de Teerã aceleraram divergências marcantes dentro do grupo de países do BRICS – bloco composto por Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. Enquanto alguns membros condenaram o uso da força militar, outros focaram suas críticas nas ações retaliatórias do Irã.
Oficialmente, Brasil, China e Rússia manifestaram repúdio aos bombardeios coordenados pelos governos norte-americano e israelense no dia 28 de fevereiro, que desencadearam uma nova escalada de hostilidades na região do Golfo Pérsico. Autoridades desses países ressaltaram a importância de soluções diplomáticas e a necessidade de respeito ao direito internacional diante do conflito que já provoca instabilidade em mercados de energia globais e preocupações humanitárias regionais.
Em contrapartida, outros integrantes do bloco, notadamente Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Índia, adotaram posição distinta diante da série de ataques com mísseis disparados pelo Irã contra instalações militares estadunidenses e seus aliados nos Estados do Golfo. Esses países condenaram a ofensiva de Teerã como uma agressão à soberania regional e um risco à própria segurança de suas populações, ressoando declarações públicas de Estados árabes que classificaram as investidas iranianas como “agressão flagrante”.
Um diplomata ouvido em caráter reservado pela BBC News Brasil afirmou que, embora o governo brasileiro tenha intensificado consultas com nações parceiras dentro do bloco nos últimos dias, “por ora, não haveria previsão de uma posição conjunta do bloco sobre o assunto”.
Recorda-se que, em julho de 2025, quando o Irã foi alvo de ataques aéreos similares por parte dos Estados Unidos e Israel, os países do BRICS chegaram a divulgar uma nota conjunta sobre o episódio. Na atual crise, no entanto, um interlocutor próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou à BBC News Brasil que não acredita que o grupo venha a adotar novamente uma declaração comum, apontando como fatores impeditivos as dimensões ampliadas da crise e o papel da liderança indiana do bloco neste ano.
Especialistas consultados pela BBC News Brasil ponderam que a crise expõe contradições latentes no processo de expansão do BRICS e coloca em xeque a capacidade de ação coletiva de um agrupamento de países cujos interesses geopolíticos são divergentes e complexos.
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