universo dos quadrinhos
Exposição sobre a obra de Mauricio de Sousa transforma o imaginário brasileiro em experiência imersiva no CCBB Rio
Por Jussara Beserra - Em 18/03/2026 às 1:01 PM

A porta de entrada para muitas memórias. Fotos: Jussara Beserra
Entrar em “Viva Mauricio – Mauricio de Sousa, a experiência imersiva” é aceitar um convite para caminhar por dentro de histórias que fazem parte da formação afetiva de milhões de brasileiros. No Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, a exposição propõe um encontro direto com figuras que acompanharam a infância, atravessam o tempo e seguem presentes em diferentes fases.
Organizada como um percurso que alterna informação, imagem e interação, a mostra ocupa 780 metros quadrados e se distribui por 25 ambientes que conduzem o visitante por etapas da sua formação e de sua obra. Em vários momentos, a própria voz do autor acompanha o trajeto entre salas e conteúdos, criando uma condução contínua que aproxima o público de seu processo criativo.
“Um encontro entre tecnologia e afeto”

Um mergulho em 360 graus
A rotunda do CCBB Rio foi transformada em uma grande praça audiovisual, onde as criações conduzem o visitante por momentos do processo de Mauricio enquanto cenas ganham forma em projeções que dialogam com a arquitetura do prédio. O olhar sobe até a claraboia e encontra um vitral inspirado em seu universo, integrando espaço e imagem.

Curadoria e sensibilidade em cada detalhe
Para Sueli Voltarelli, gerente geral do CCBB Rio, o impacto do projeto é imediato. “Viva Mauricio é um encontro memorável entre a tecnologia e o afeto. Os diversos recursos de interatividade e a própria ambientação dos espaços contribuem para que o público mergulhe de fato nas histórias que Mauricio de Sousa criou durante sua brilhante trajetória e construam uma experiência de encantamento com a cultura.”
Criador que desenhou o Brasil

Cada geração encontra a sua versão
Ao longo de sua carreira, Mauricio de Sousa construiu um universo de personagens que se tornaram parte da paisagem emocional do país. Suas criações nasceram muitas vezes de referências íntimas, de conversas familiares e de cenas simples do cotidiano, transformadas em narrativa gráfica. Foi assim que surgiram figuras como Bidu, o cachorro azul que inaugurou sua carreira, Cebolinha, Cascão, Magali e a inesquecível Mônica, cuja personalidade forte e o inseparável Sansão atravessaram décadas sem perder atualidade. Nesse percurso, seus quadrinhos não apenas divertiram, mas ajudaram a formar leitores e a despertar o gosto pela imaginação desde cedo.

Direto da infância para a vida real
Esses elementos ganham ainda mais sentido quando a exposição revela suas origens. Filho de Antônio Mauricio de Sousa, barbeiro, poeta, pintor e radialista, e de Petronilha Araújo de Sousa, Mauricio cresceu em um ambiente em que arte, palavra e sensibilidade faziam parte da rotina. Essa herança múltipla ajuda a compreender a delicadeza que constrói figuras capazes de dialogar com diferentes idades, regiões e realidades brasileiras.

A origem de um universo inteiro
Em meio ao trajeto, um conjunto de cadernos antigos chama atenção pela força silenciosa de seus traços. Ali estão algumas das primeiras criações de Mauricio, rabiscos feitos ainda na época de escola, quando o desenho era mais intuição do que método. As páginas, marcadas pelo tempo, revelam não apenas formas em construção, mas a persistência de quem já buscava, sem saber, uma linguagem própria. Ver esses registros hoje é testemunhar o nascimento de um olhar que viria a transformar o imaginário de gerações.
A exposição também revela aspectos menos conhecidos de sua formação, que ajudam a compreender a força e a persistência de sua obra. Um dos episódios mais marcantes de sua infância foi o dia em que um professor, movido por preconceito e desinformação, levou alunos a queimarem seus gibis, considerados “más influências”. A cena, que poderia ter sido um afastamento definitivo do desenho, acabou reforçando sua ligação com aquelas histórias que, anos depois, conquistariam os corações de inúmeros brasileiros.
A mostra no CCBB integra as comemorações dos 90 anos do artista, celebrados ao longo de 2025 com uma série de homenagens, entre elas um filme sobre sua vida. Um reconhecimento que reafirma seu papel como um dos grandes nomes da cultura brasileira.
Ícone chamado Mônica
Entre todas as criações de Mauricio, Mônica ocupa um lugar singular. Inspirada em sua filha, ainda pequena e conhecida pelo temperamento firme, ela surgiu inicialmente em tirinhas do Cebolinha, em 1963, antes de assumir o centro das narrativas. Na exposição, seu universo ganha forma no quarto inspirado nas HQs, com guarda-roupa monocromático de vestidos vermelhos, a cama e objetos pessoais que ajudam a compor sua identidade.

Vermelho, personalidade e história
Ali também aparece o coelho amarelo, referência ao boneco original da infância de Mônica Sousa, que antecedeu o Sansão azul, cor escolhida por Mauricio como decisão artística para garantir melhor contraste visual nos quadrinhos. Em outro momento, a personagem surge vestida como a Mona Lisa, em um diálogo bem-humorado com a obra de Leonardo da Vinci, demonstrando como seu alcance ultrapassa o território dos quadrinhos e passa a conversar com a própria história da arte.

Clássico revisitado com humor e identidade
Chico Bento e o tempo do interior

Histórias contadas ao pé do ouvido
Por trás da figura de Vó Dita, há uma presença real que atravessa toda a trajetória de Mauricio: sua avó, Benedita Rodrigues. Moradora de Mogi das Cruzes, foi ela quem lhe apresentou, ainda menino, o poder das histórias narradas ao pé do ouvido, entre gestos simples e longas conversas na roça. Contadora de causos, transmissora do folclore e de um modo de viver ligado à terra, Benedita tornou-se uma das grandes referências afetivas e criativas do artista. Essa herança aparece de forma delicada no ambiente dedicado a Chico Bento, onde cada detalhe parece carregar não apenas memória, mas também de gratidão, como se aquele espaço fosse uma homenagem a quem tanto o ensinou.
O coração da mostra

Cenário que não precisa de apresentação
O Bairro do Limoeiro ocupa posição central no itinerário. Ali, o visitante entra nas casas da Turma da Mônica e percorre quartos, cozinhas e quintais que sempre existiram nas revistas. O cuidado com os detalhes torna a experiência próxima, quase íntima, como se aquelas histórias finalmente encontrassem um espaço físico para existir.
Outros núcleos revelam camadas mais profundas da mostra. Horácio, apresentado por Mauricio como seu alter ego, ocupa um dos núcleos mais sensíveis da mostra. É por meio dele que o artista revela seu lado mais introspectivo, culminando na exibição do último quadrinho criado, em que o dinossauro reencontra a mãe em uma das cenas mais emocionantes da exposição.
Histórias que atravessam gerações
Essa conexão entre diferentes idades é uma das marcas mais evidentes da exposição. Pais, filhos e avós caminham juntos pelos ambientes, reconhecendo personagens, mas também criando novas memórias.
“Temos visitantes que vieram ao CCBB quando crianças e hoje retornam com seus pais e seus filhos. Mauricio começou sua trajetória nos anos 1950 e teve papel fundamental na educação e na alfabetização de milhares de brasileiros. Visitar a exposição é compartilhar vivências e fortalecer vínculos com a cultura”, afirma Sueli Voltarelli.
Percurso para todos

Tudo pensado para aproximar
A experiência se destaca também pelo compromisso com a inclusão. Sinalizadores e mapas táteis, audiodescrição em três idiomas, Libras e equipes especializadas garantem que diferentes públicos participem plenamente da visita. Uma escolha que dialoga diretamente com a própria obra de Mauricio, conhecida por valorizar a diversidade e o respeito às diferenças.
Legado que segue vivo

O percurso é atravessado pela presença de Mauricio de Sousa, que surge entre personagens e cenários
Em cartaz até 13 de abril de 2026, “Viva Mauricio” se consolida como uma das programações culturais mais relevantes do Rio neste início de ano. Uma visita que convida o público a observar com calma e se reconectar com personagens que seguem vivos não apenas nas páginas dos quadrinhos, mas também na memória afetiva.
Como o próprio Mauricio resume em uma de suas frases mais conhecidas, eternizada no filme sobre sua vida:
“Nunca desistam dos seus sonhos, porque os seus sonhos não vão desistir de vocês.”
Confira mais imagens da exposição!
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
- Viva Maurício
Mais notícias
COMÉRCIO ATIVO

![[set] Banners Dinheiro Na Mão 830x110px](https://www.portalin.com.br/wp-content/uploads/2026/01/set-banners-dinheiro-na-mao-830x110px.png)












































