
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar. Foto: Rafael Balago/Exame
Em um movimento estratégico que reposiciona o Brasil no tabuleiro internacional de recursos naturais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, firmou nesta quarta-feira, 18/3, um memorando de entendimento com o governo dos Estados Unidos voltado à exploração de minerais críticos e terras raras.
A assinatura ocorreu no Consulado Geral americano em São Paulo, com a presença de Gabriel Escobar, encarregado de negócios da embaixada dos EUA, em um contexto diplomático ainda marcado pela ausência de embaixador nomeado durante o atual mandato de Donald Trump.
Embora ainda sem força de lei, o acordo estabelece bases para cooperação em pesquisa, capacitação e desenvolvimento de um ambiente regulatório mais competitivo. A iniciativa projeta Goiás como peça-chave em uma agenda global que conecta inovação, segurança energética e cadeias industriais avançadas, em um momento de crescente demanda por insumos estratégicos.
Terras raras

Caiado e Escobar assinam, em São Paulo, memorando de entendimento. Foto: Rafael Garcia/O GLOBO
O protagonismo do estado se sustenta em ativos concretos: é em Goiás que está a única operação ativa de extração de terras raras no Brasil, localizada em Minaçu, na região norte, conduzida pela mineradora Aclara, na Serra Verde. A nova parceria busca ampliar esse potencial, reposicionando o estado não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas como elo relevante na agregação de valor da cadeia produtiva mineral.
“Esta parceria hoje assinada, ela propõe o desenvolvimento do estado, o auxílio do mapeamento dos nossos potenciais minerais, e também absorver a tecnologia, avançar na pesquisa, para que Goiás não seja apenas um exportador de matéria bruta”, afirmou Caiado.
Do lado americano, Escobar reforçou o caráter estratégico da cooperação: “Como dizemos nos Estados Unidos, este é um acordo win-win”, disse o representante, destacando que a iniciativa deve ampliar investimentos, cooperação científica e conexões econômicas.
Mesmo sem detalhar incentivos fiscais ou mecanismos operacionais, o acordo já desperta interesse no setor privado. Um encontro promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), realizado logo após a assinatura, indicou potenciais frentes de investimento em diferentes estados brasileiros.
Em paralelo, a agenda bilateral com o governo federal segue em compasso mais lento, embora a chegada ao país de David Copleu, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, sinalize novos desdobramentos em um setor considerado vital para energia limpa, tecnologia avançada e indústria de semicondutores.