Crise Institucional

Nova eleição na Alerj vira peça-chave na definição do comando do Rio de Janeiro

Por Julia Fernandes Fraga - Em 16/04/2026 às 12:04 AM

Alerj

Na quarta-feira, 15, foi negado o pedido de suspensão da votação de sexta, 17. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) marcou para esta sexta-feira (17), às 11h, a eleição que definirá o novo presidente da Casa. A decisão foi unânime e ocorreu após reunião da Mesa Diretora com o Colégio de Líderes, que avaliou haver condições institucionais para a realização do pleito.

Mais do que uma disputa interna, a votação reposiciona o tabuleiro político fluminense em um momento de instabilidade institucional: o comando da Alerj pode se converter diretamente no controle do Executivo estadual.

Impasse jurídico

O movimento ocorre após a anulação da eleição realizada no dia 26 de março, quando o deputado Douglas Ruas (PL) chegou a ser escolhido presidente em sessão extraordinária posteriormente invalidada pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).

A decisão judicial se deu em meio ao impasse provocado pela cassação do mandato do então presidente Rodrigo Bacellar (União-RJ) e à necessidade de retotalização dos votos das eleições de 2022.

Com a homologação dessa retotalização pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (14), os deputados entenderam que o cenário foi regularizado, abrindo caminho para uma nova eleição interna.

Por que importa

O cargo em disputa carrega peso estratégico: o presidente da Alerj poderá assumir interinamente o governo do estado e conduzir o processo de escolha indireta do chamado governador “tampão”, que exercerá o mandato até dezembro. O formato dessa eleição ainda está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), mantendo o ambiente político em aberto.

Durante o período de indefinição, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, permaneceu como governador interino, decisão mantida pela desembargadora Suely Lopes Magalhães até a resolução do impasse. No Legislativo, o comando provisório ficou com o deputado Guilherme Delaroli (PL).

A tentativa de barrar a nova eleição também fracassou na Justiça, que entendeu tratar-se de matéria interna do Parlamento, reforçando a autonomia da Alerj para conduzir o processo.

A definição desta semana ocorre sob influência direta das decisões do STF e com potencial de reorganizar forças políticas no estado, transformando a eleição interna da Alerj em peça-chave na disputa pelo comando do Rio de Janeiro.

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