Decisão judicial

Justiça de São Paulo determina interdição de FHC e nomeia filho do ex-presidente como curador

Por Marlyana Lima - Em 16/04/2026 às 2:07 AM

960730 Wdo8394a (1)

Aos 94 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é vítima de Alzheimer e foi interditado pela Justiça de SP

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) decretou, nesta quarta-feira (15), a interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 94 anos, em razão do avanço da doença de Alzheimer. A decisão tem efeito imediato e atende a pedido dos filhos Paulo Henrique, Luciana e Beatriz, com base em laudos médicos que apontam comprometimento cognitivo significativo.

A medida foi assinada pela juíza Ana Lúcia Xavier Goldman, da 2ª Vara da Família e Sucessões. Com isso, Paulo Henrique Cardoso foi nomeado curador provisório, passando a responder pelos atos civis, administração patrimonial e gestão financeira do ex-presidente. Ele terá 15 dias para obter a anuência de Patrícia Kundrát, que mantém união estável com FHC desde 2014.

Na decisão, a magistrada destacou que havia consenso entre familiares e que o próprio FHC já havia manifestado, previamente, concordância com a organização da curatela, inclusive por meio de procuração judicial. O alinhamento prévio contribuiu para a tramitação célere do processo, evitando disputas judiciais.

A interdição civil ocorre quando a Justiça reconhece a incapacidade de uma pessoa para exercer plenamente atos da vida civil, geralmente em casos de doenças degenerativas como o Alzheimer. A curatela, nesses casos, funciona como instrumento de proteção jurídica e patrimonial.

Importância do planejamento jurídico

A decisão encerra, no plano institucional, a autonomia civil de uma das figuras mais influentes da história recente do Brasil. Presidente entre 1995 e 2002, FHC foi protagonista da estabilização econômica com o Plano Real e referência intelectual do Partido da Social Democracia Brasileira.

Embora afastado da política ativa nos últimos anos, o ex-presidente ainda exercia influência no debate público, frequentemente acionado como voz de moderação em momentos de crise.

O episódio também reforça a importância de planejamento jurídico e familiar em casos de doenças neurodegenerativas, sobretudo envolvendo figuras públicas e patrimônios relevantes. Ao contrário de disputas comuns nesse tipo de processo, o consenso entre os herdeiros de FHC sinaliza uma transição organizada e institucionalmente segura.

Sem impacto direto na cena política atual, a decisão tem, contudo, peso simbólico: marca o afastamento definitivo de um dos principais arquitetos da política brasileira contemporânea e evidencia a transição geracional em curso no país.

Mais notícias

Ver tudo de IN Poder