Alta relojoaria
Cartier ganha força no mercado de revenda e pressiona liderança da Rolex
Por Redação - Em 21/04/2026 às 8:01 AM

Nos últimos oito anos, modelos da Cartier apresentaram valorização expressiva, com altas que chegam a 299% em peças específicas
A tradicional liderança da Rolex no mercado de relógios de luxo começa a ser relativizada por uma mudança recente no comportamento de valorização desses ativos. Levantamento da plataforma Chrono24 indica que a francesa Cartier registrou desempenho superior no mercado secundário, impulsionando uma reconfiguração no setor.
Nos últimos oito anos, modelos da Cartier apresentaram valorização expressiva, com altas que chegam a 299% em peças específicas, como o Tank Vermeil, enquanto o Panthère acumulou ganhos de mais de 200% no período. Entre os 20 relógios que mais se valorizaram desde 2018, metade pertence à marca parisiense.
Os dados desafiam a percepção consolidada de que relógios da Rolex seriam, de forma automática, o investimento mais seguro. Apesar de manter liderança em volume de vendas e reconhecimento global, a marca suíça apresenta desempenho mais moderado em valorização recente. Um de seus modelos mais populares, o Datejust, acumulou alta de cerca de 59% no mesmo intervalo.
A diferença está associada a fatores estruturais. Os relógios da Rolex já partiam de patamares elevados de preço e foram impulsionados por um ciclo de demanda especulativa durante a pandemia, o que limitou ganhos adicionais posteriores. Já a Cartier se beneficiou de uma estratégia baseada em design icônico, consistência estética e valorização de seu portfólio histórico.
Esse posicionamento fortaleceu o apelo da marca junto a um novo perfil de consumidor, especialmente entre os mais jovens. A participação da geração Z nas compras da Cartier aumentou de 1,7% para 6,8% em sete anos, refletindo uma mudança relevante na base de demanda.
Além do aspecto financeiro, especialistas apontam que os relógios da Cartier passaram a ocupar um espaço cultural mais amplo, funcionando como símbolos de estilo e identidade. A presença da marca em redes sociais e produções culturais contribuiu para ampliar sua visibilidade e atratividade.
Nesse contexto, o mercado de relógios de luxo passa por uma transformação, na qual fatores como narrativa, design e relevância geracional ganham peso semelhante ao da engenharia mecânica. A valorização deixa de estar associada apenas à tradição ou à escassez e passa a refletir também a conexão emocional e cultural com novos públicos.
Mesmo diante de um cenário desafiador para o setor de luxo, a tendência é que modelos icônicos e com forte identidade continuem a apresentar desempenho acima da média, consolidando uma nova lógica de formação de valor no segmento.
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