JUROS E PETRÓLEO
Goldman Sachs eleva projeção da Selic para 13,25% em 2026
Por Redação - Em 28/04/2026 às 11:15 AM

Com a Selic atualmente em 14,75% ao ano, o Goldman Sachs passou a projetar uma trajetória mais gradual de redução
O Goldman Sachs revisou para cima sua estimativa para a taxa básica de juros no Brasil e agora projeta a Selic em 13,25% ao fim de 2026, em um cenário de inflação mais resistente e impacto do avanço internacional do petróleo sobre preços domésticos. A nova previsão sinaliza que o processo de flexibilização monetária deve ocorrer em ritmo mais lento do que o esperado anteriormente.
A mudança ocorre em meio à escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram as cotações globais da energia e aumentaram as preocupações com os efeitos sobre combustíveis e inflação. Para o banco, esse novo choque externo reduz a margem para cortes mais acelerados por parte do Banco Central brasileiro, mesmo diante da desaceleração econômica.
Com a Selic atualmente em 14,75% ao ano, o Goldman passou a projetar uma trajetória mais gradual de redução, prevendo a taxa em 14,25% no segundo trimestre de 2026, 13,50% no terceiro trimestre e 13,25% no fechamento do ano. Antes, a instituição trabalhava com expectativa mais otimista de recuo.
O banco também elevou sua projeção para o IPCA de 2026, de 4,8% para 5,0%, mantendo a inflação acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Entre os fatores de pressão estão o encarecimento dos combustíveis, a resiliência do mercado de trabalho, o ambiente fiscal expansionista e a possibilidade de repasses em cadeia para outros setores da economia.
No mercado de energia, o Goldman revisou sua expectativa para o petróleo Brent no quarto trimestre, elevando a previsão de US$ 80 para US$ 90 por barril. A instituição avalia que conflitos e riscos à oferta global podem manter os preços elevados por mais tempo, afetando economias importadoras e ampliando incertezas monetárias em países emergentes.
No Brasil, a alta do petróleo tem potencial de pressionar diretamente gasolina, diesel e custos logísticos, o que amplia o desafio da autoridade monetária para trazer a inflação de volta ao centro da meta. Nesse contexto, o cenário desenhado pelo Goldman reforça a avaliação de que os juros brasileiros devem permanecer em patamar elevado por mais tempo, com efeitos sobre crédito, consumo e investimentos ao longo de 2026.
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