Multilateralismo em pauta
Lula apoia Michelle Bachelet e volta a cobrar mudanças na ONU
Por Julia Fernandes Fraga - Em 12/05/2026 às 12:07 PM

Brasil e México querem a ex-presidente do Chile no comando da Organização em 2027. Foto: Wallison Breno/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, e aproveitou o encontro para reforçar a defesa brasileira de uma reformulação da Organização das Nações Unidas (ONU) e do fortalecimento do multilateralismo.
A reunião ocorreu em meio às articulações internacionais pela sucessão do atual secretário-geral da ONU, António Guterres, cujo mandato termina em dezembro de 2026. Com apoio do Brasil e do México, Bachelet disputa o cargo e pode se tornar a primeira mulher a comandar a entidade.
Após o encontro, Lula associou a candidatura da ex-presidente chilena ao debate sobre a necessidade de uma ONU “mais forte” diante do atual cenário internacional, marcado por guerras, disputas geopolíticas e pressão sobre organismos multilaterais.
“Discutimos vários temas da agenda internacional e o papel que uma ONU reformada precisa ter para a promoção da paz e do desenvolvimento sustentável, bem como para o fortalecimento do multilateralismo”, escreveu o presidente nas redes sociais.
Lula também afirmou que a experiência internacional de Bachelet “a credencia” para liderar a organização.
Brasil entra na disputa diplomática
Embora a troca de comando da ONU aconteça apenas em janeiro de 2027, as movimentações diplomáticas em torno da sucessão já avançam nos bastidores internacionais.
A candidatura de Michelle Bachelet foi apresentada oficialmente no início deste ano pelos governos do Brasil, Chile e México. O apoio chileno, no entanto, foi retirado após a chegada do conservador José Antonio Kast à presidência do país.
Nos bastidores diplomáticos, países latino-americanos defendem que, após a gestão de António Guterres, a próxima liderança da ONU seja da América Latina e Caribe.
Outros nomes também circulam na disputa internacional, mas Michelle Bachelet aparece como uma das candidaturas mais conhecidas dentro do sistema ONU, especialmente pela trajetória construída em áreas ligadas aos direitos humanos e à governança internacional.
Conselho de Segurança terá palavra final
A escolha do próximo secretário-geral depende de recomendação do Conselho de Segurança da ONU, formado por 15 países. Os cinco membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França — possuem poder de veto sobre qualquer candidatura.
A disputa ocorre em um momento de questionamentos sobre a capacidade de resposta da ONU diante de conflitos armados e crises internacionais recentes, cenário que recolocou no centro do debate propostas de reforma da estrutura de governança global.
Nos últimos anos, Lula intensificou críticas ao atual modelo da organização e passou a defender mudanças no sistema internacional, especialmente no Conselho de Segurança, argumento reiterado durante o encontro com Michelle Bachelet.
Trajetória internacional
Michelle Bachelet tem 74 anos e governou o Chile em dois mandatos, entre 2006 e 2010 e depois de 2014 a 2018. Também ocupou cargos de destaque dentro do sistema ONU, como chefe da ONU Mulheres e alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
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