cinema
Demi Moore, Park Chan-wook e júri internacional lideram abertura da 79ª edição do Festival de Cannes
Por Jussara Beserra - Em 12/05/2026 às 3:02 PM

Cannes 2026 começa olhando para o futuro da indústria audiovisual global – Foto: Reprodução/Instagram
O Festival de Cannes 2026 iniciou oficialmente sua 79ª edição nesta terça-feira (12) consolidando um dos movimentos mais evidentes da indústria audiovisual nos últimos anos: a redistribuição global de influência cultural no cinema.
Presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook, vencedor do prêmio de Melhor Direção em Cannes por “Decisão de Partir”, o júri da Palma de Ouro reúne profissionais de diferentes continentes e reforça a tentativa do festival de ampliar seu repertório simbólico em um cenário cada vez menos concentrado no eixo Hollywood-Europa.
Integram o corpo de jurados a atriz norte-americana Demi Moore, a diretora chinesa Chloé Zhao, o ator sueco Stellan Skarsgård, a atriz etíope-irlandesa Ruth Negga, o ator costa-marfinense Isaach De Bankolé, a diretora belga Laura Wandel, o cineasta chileno Diego Céspedes e o roteirista britânico Paul Laverty.
Mais do que apresentar filmes, a coletiva de abertura revelou quais temas devem dominar o centro das discussões da indústria em 2026: inteligência artificial, representatividade regional, política cultural e preservação criativa.
Ao comentar a presença de produções asiáticas na competição oficial, Park Chan-wook afastou qualquer possibilidade de favorecimento e aproveitou para defender a relação direta entre arte e posicionamento político.
“Acho estranho pensar que arte e política estejam em conflito”, afirmou o diretor. “Quando não existe força artística, sobra apenas propaganda.”
O debate sobre tecnologia ganhou protagonismo com Demi Moore, que abordou os impactos da inteligência artificial sobre atores e direitos de imagem. A atriz afirmou que a indústria precisará aprender a conviver com a IA enquanto constrói mecanismos de proteção para artistas e profissionais criativos.
A fala evidencia uma preocupação crescente em Hollywood e no mercado audiovisual europeu, especialmente após o avanço acelerado de ferramentas generativas e discussões sobre uso de imagem, voz e propriedade intelectual.
Outro ponto que atravessou a coletiva foi a ausência de produções latino-americanas na competição principal pela Palma de Ouro. O diretor chileno Diego Céspedes destacou que sua presença no júri representa não apenas o Chile, mas o cinema latino-americano em um dos espaços de maior visibilidade da indústria global.
A composição multicultural do júri reforça um movimento estratégico do Festival de Cannes, que busca preservar relevância em um mercado impactado pela expansão do streaming, pela descentralização da produção audiovisual e pela ascensão de novos polos criativos na Ásia, África e América Latina.
Nesta edição, Cannes parece menos interessado em defender tradição e mais empenhado em reposicionar seu papel dentro da nova arquitetura cultural do entretenimento global.
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