Sistema Financeiro
Juros médios no Brasil chegam a 33,8% ao ano e atingem maior nível da série histórica
Por Redação - Em 28/05/2026 às 4:00 PM

Contas, Calculadora, Orçamento Foto Freepik
O custo do crédito voltou a subir no Brasil e atingiu, em abril, o maior patamar desde o início da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. A taxa média de juros das concessões bancárias alcançou 33,8% ao ano, avanço de 0,6 ponto percentual em relação a março e de 2,4 pontos percentuais em 12 meses.
O movimento foi puxado principalmente pelas operações destinadas às famílias. No crédito livre para pessoas físicas — modalidade em que as instituições financeiras têm liberdade para definir as taxas cobradas — os juros médios chegaram a 63% ao ano em abril, alta de 1,5 ponto percentual no mês e de 5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre as linhas que mais pressionaram o indicador estão o crédito pessoal não consignado, que registrou elevação de 8 pontos percentuais, e o rotativo do cartão de crédito, com avanço de 3,7 pontos percentuais.
Para as empresas, os juros médios do crédito livre subiram para 25,3% ao ano, alta de 0,5 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto percentual em 12 meses. O Banco Central atribui parte da elevação ao aumento das taxas do cheque especial empresarial, que avançaram 14,9 pontos percentuais.
Outro indicador que também atingiu nível recorde foi o Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do Sistema Financeiro Nacional. O índice chegou a 24,3% ao ano em abril. Já o spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes — avançou para 22,6 pontos percentuais, alta de 0,7 ponto percentual no mês e de 2,6 pontos percentuais em 12 meses.
A inadimplência também continuou em trajetória de alta. O percentual de atrasos acima de 90 dias no crédito total do Sistema Financeiro Nacional atingiu 4,4% em abril, avanço de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Entre as famílias, a taxa chegou a 5,4%, enquanto nas empresas ficou em 2,8%.
No crédito com recursos livres, a inadimplência alcançou 5,8% da carteira. Entre pessoas físicas, o índice subiu para 7,2%, enquanto nas empresas ficou em 3,6%.
Apesar dos juros elevados, o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional continuou crescendo e atingiu R$ 7,2 trilhões em abril, alta de 0,3% no mês. As operações com famílias avançaram 0,6%, chegando a R$ 4,6 trilhões, enquanto o saldo destinado às empresas recuou 0,1%, para R$ 2,7 trilhões.
Os dados também mostram pressão crescente sobre o orçamento doméstico. O endividamento das famílias brasileiras chegou a 49,8% da renda em março, patamar 0,8 ponto percentual superior ao registrado um ano antes. Já o comprometimento de renda — parcela do orçamento utilizada para pagamento de dívidas — alcançou 29,3%, com alta de 1,3 ponto percentual em 12 meses.
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