MERCADO FINANCEIRO

Dólar fecha a R$ 5,18, maior nível desde março, após tensão no Oriente Médio e payroll forte nos EUA

Por Redação - Em 08/06/2026 às 7:14 PM

Dólar Foto Agência Brasil

No fechamento do mercado, o contrato futuro de dólar para julho era negociado a R$ 5,2100 FOTO: Agência Brasil

O dólar voltou a subir diante do real nesta segunda-feira (8) e encerrou o pregão no maior patamar desde 30 de março. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,1803, alta de 0,45%, em um dia marcado pela busca de proteção por parte dos investidores em razão do agravamento das incertezas geopolíticas e da perspectiva de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo.

Ao longo da sessão, o dólar chegou a cair para R$ 5,1335 na abertura, refletindo realização de lucros após a valorização de 2,72% acumulada na primeira semana de junho. O movimento, porém, perdeu força rapidamente. Ainda pela manhã, a moeda atingiu a máxima de R$ 5,1951, antes de encerrar o dia acima de R$ 5,18.

O mercado reagiu aos novos episódios de tensão entre Irã e Israel registrados durante o fim de semana. Embora tenha havido manifestações em defesa de um cessar-fogo, investidores passaram a questionar a sustentabilidade de uma trégua duradoura na região, o que aumentou a procura por ativos considerados mais seguros.

O cenário geopolítico também impulsionou o petróleo. O barril do Brent para agosto avançou 1,25%, encerrando o dia a US$ 94,25. A preocupação com possíveis impactos sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, contribuiu para elevar a volatilidade dos mercados.

Além da guerra no Oriente Médio, os investidores continuaram repercutindo o relatório de emprego dos Estados Unidos divulgado na última sexta-feira. O payroll mostrou criação de vagas acima das expectativas, fortalecendo a avaliação de que o Federal Reserve poderá manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo e até mesmo elevar os juros em 2026.

A perspectiva de taxas mais altas nos EUA reduz a atratividade de estratégias de carry trade, que se beneficiam do diferencial de juros entre países, e favorece a migração de recursos para ativos americanos. Esse movimento tende a pressionar moedas de mercados emergentes, como o real.

No fechamento do mercado, o contrato futuro de dólar para julho era negociado a R$ 5,2100. O desempenho da moeda brasileira destoou do índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de divisas fortes e registrava leve queda de 0,06%.

Analistas avaliam que a combinação entre riscos geopolíticos, fortalecimento da economia americana e incertezas sobre os próximos passos da política monetária brasileira continua sustentando a valorização do dólar e ampliando a pressão sobre o câmbio.

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