PAUTA EXPORTADORA
Carnaúba avança na China e reposiciona ativo do Ceará no comércio internacional
Por Marcelo Cabral - Em 15/06/2026 às 10:42 AM
A cera de carnaúba, um dos ativos mais tradicionais da economia nordestina, atravessa uma fase de reposicionamento no comércio internacional. Entre janeiro e maio de 2026, o produto movimentou US$ 44,9 milhões e consolidou-se como o terceiro item mais relevante da pauta exportadora do Ceará – agora com um vetor claro de expansão: a China.

Carnaúba é um ativo relevante da pauta exportadora cearense, em terceiro lugar Foto: Divulgação
Dados do estudo Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEC, revelam que o país asiático ampliou significativamente sua participação como destino do produto. Dos US$ 39,2 milhões exportados pelo Ceará para a China no período, US$ 14,7 milhões correspondem à cera de carnaúba – um indicativo de mudança no eixo de demanda global.
Mais do que volume, a movimentação aponta para um novo posicionamento, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). A carnaúba não opera mais apenas como commodity tradicional, mas como insumo de alta performance inserido em cadeias industriais exigentes, que vão da indústria farmacêutica à tecnologia de revestimentos.
Adaptação ao comércio global
Nesse cenário, o Ceará demonstra capacidade de adaptação ao redesenho do comércio global. Ao mesmo tempo em que mantém presença consolidada em mercados maduros como Estados Unidos e Alemanha, o Estado avança sobre novas economias dinâmicas, aumentando sua relevância em cadeias de valor mais sofisticadas.
“A ampliação da participação da cera de carnaúba no mercado chinês demonstra a capacidade de adaptação de uma cadeia produtiva tradicional às novas dinâmicas do comércio internacional. Ao mesmo tempo em que preserva mercados historicamente relevantes, o Ceará consegue ampliar sua inserção em destinos estratégicos, reforçando a competitividade de um produto com alto valor agregado e reconhecimento global“, avalia Karina Frota, gerente do CIN.
O avanço da carnaúba ocorre em paralelo a uma transformação mais ampla do perfil exportador do Estado. Entre janeiro e maio, as exportações cearenses somaram US$ 835,8 milhões – expansão de 8,5% na comparação anual -, impulsionadas principalmente pela siderurgia, mas com cadeias tradicionais mostrando resiliência e capacidade de reinvenção.
No centro desse movimento, a carnaúba reafirma seu papel relevante na economia do Ceará. Não apenas como herança econômica do semiárido, mas como verdadeiro ativo estratégico em um mercado global que valoriza desempenho, sustentabilidade e origem.
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