Comércio global

Moody’s alerta para riscos da dependência da China na América Latina

Por Redação - Em 17/06/2026 às 12:01 AM

Conteiner, Exportações, Balança Comercial Foto Freepik

Na avaliação da agência, o principal desafio para a América Latina será encontrar formas de diversificar suas exportações, aumentar a produção de bens com maior valor agregado e fortalecer a competitividade industrial FOTO: Magnific

A crescente relação comercial entre a América Latina e a China tem impulsionado exportações e investimentos nos últimos anos, mas também vem criando desafios estruturais para as economias da região. Um relatório da agência de classificação de risco Moody’s aponta que a dependência do mercado chinês pode gerar um “duplo risco” para os países latino-americanos, combinando maior exposição às oscilações da demanda por commodities e pressão crescente sobre a indústria local.

Segundo a análise, a América Latina vende cada vez mais matérias-primas para a China, enquanto amplia a importação de produtos industrializados chineses. Esse movimento reforça a concentração das exportações em itens de baixo valor agregado, como minério de ferro, petróleo, cobre e produtos agrícolas, tornando a região mais vulnerável a mudanças no ciclo econômico chinês e à volatilidade dos preços internacionais.

Ao mesmo tempo, o avanço das exportações chinesas para mercados globais intensifica a concorrência enfrentada pelos fabricantes latino-americanos. Setores como aço, automóveis, máquinas, eletrônicos e produtos químicos estão entre os mais expostos à competição de produtos chineses, que chegam ao mercado com preços competitivos e grande escala de produção.

Para a Moody’s, o desafio vai além de uma eventual desaceleração da economia chinesa. A preocupação está ligada à transformação do modelo de crescimento do país asiático, que vem migrando da construção civil e da infraestrutura para áreas de alta tecnologia e manufatura avançada. Essa mudança tende a reduzir a demanda por algumas commodities tradicionais, afetando diretamente países cuja pauta exportadora depende desses produtos.

No caso do Brasil, o relatório identifica vulnerabilidades em diversos segmentos industriais. A agência destaca riscos mais elevados nos setores automotivo, de máquinas, equipamentos elétricos, químicos, borracha e plástico, em razão da maior dependência de insumos chineses e da concorrência crescente de produtos importados. Por outro lado, atividades ligadas ao setor florestal e madeireiro aparecem entre as menos expostas.

A Moody’s também observa que a participação de componentes e insumos chineses nas exportações brasileiras aumentou significativamente nos últimos anos, indicando uma integração cada vez maior das cadeias produtivas. Embora essa relação possa trazer ganhos de eficiência e redução de custos, ela também amplia a dependência de fornecedores externos e a exposição a choques comerciais ou geopolíticos.

Na avaliação da agência, o principal desafio para a América Latina será encontrar formas de diversificar suas exportações, aumentar a produção de bens com maior valor agregado e fortalecer a competitividade industrial. Sem esse movimento, a região corre o risco de ampliar sua dependência de commodities e perder espaço em segmentos estratégicos da economia global.

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