MOBILIZAÇÃO EMPRESARIAL

Indústria defende a inovação como eixo estratégico para desenvolver o Brasil

Por Marcelo Cabral - Em 23/07/2026 às 5:44 PM

A inovação voltou ao centro da agenda de desenvolvimento econômico do Brasil durante a reunião do comitê de líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), realizada nesta quinta-feira (23), na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O encontro reuniu representantes do setor produtivo, governo e instituições de financiamento para discutir os impactos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), as diretrizes da nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024-2034 e propostas para aprimorar a governança dos fundos públicos voltados ao desenvolvimento tecnológico.

Reunião na CNI destaca a MEI como elo entre empresas e governo                 Fotos: Augusto Coelho/CNI

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou o papel da MEI como articuladora entre empresas e governo. Segundo ele, a inovação precisa ocupar uma posição estratégica na agenda econômica nacional, especialmente diante dos desafios impostos pela transformação tecnológica e pela crescente competição internacional. “A MEI consolida-se como a ponte indispensável entre o setor produtivo e o Estado. A inovação não é um conceito abstrato, mas um motor de bem-estar social. Empresas que inovam com apoio público não apenas sobrevivem melhor às crises, mas são as que garantem empregos qualificados e salários dignos para o brasileiro”, afirmou.

Ciência, tecnologia e soberania

Durante a reunião, o secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luis Fernandes, apresentou os principais eixos da nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para a próxima década. A proposta busca ampliar a participação da ciência no desenvolvimento econômico e reduzir a dependência tecnológica brasileira em áreas consideradas estratégicas.

Entre os objetivos está elevar os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2034. Fernandes destacou que setores como tecnologias digitais, fármacos e minerais críticos terão papel central nessa agenda. “A soberania é a chave para a sustentabilidade econômica, social e ambiental do nosso desenvolvimento”, afirmou.

O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Luís Gordon, ressaltou a importância de ampliar o acesso a recursos competitivos para projetos de inovação e modernização industrial.

Segundo ele, a atuação do banco está concentrada em desafios como digitalização, resiliência econômica e transição ecológica. Gordon também destacou o papel das empresas brasileiras no avanço de tecnologias sustentáveis, lembrando que o setor industrial concentra parcela significativa das patentes verdes registradas no mundo.

Entre os investimentos recentes citados pelo executivo estão a aprovação de R$ 5,8 bilhões para projetos relacionados à inteligência artificial e novas linhas de apoio a exportadores, como o plano Brasil Soberano III, com orçamento de R$ 18,5 bilhões. “O BNDES voltou a apoiar a inovação porque sabemos que ela é um pilar importante para o setor industrial”, declarou.

Dezenas de representantes empresariais participaram das discussões sobre o financiamento da inovação

FNDCT como instrumento estratégico

O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antônio Elias, reforçou a relevância do FNDCT como principal fonte de financiamento público para ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Segundo ele, a recomposição dos recursos do fundo permite ampliar o apoio a projetos estruturantes voltados à autonomia tecnológica brasileira. A expectativa é que as contratações via crédito da Finep alcancem R$ 20 bilhões em 2026, contemplando mais de três mil novos projetos.

Entre as medidas consideradas importantes estão a proibição do contingenciamento de recursos e a autorização para utilização de superávits financeiros em operações de crédito. “Nosso propósito é fomentar projetos estruturantes que reforcem a soberania e a autonomia tecnológicas do Brasil”, destacou.

O encontro reforçou a visão de que a inovação deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um elemento essencial da estratégia industrial brasileira. Em um cenário global marcado por avanços tecnológicos acelerados, a capacidade de gerar conhecimento, transformar pesquisa em produtos e fortalecer cadeias produtivas aparece como um dos principais caminhos para ampliar a competitividade e a independência econômica do País.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business