crédito empresarial
Juros elevados levam 39% das indústrias a prever alta do endividamento, aponta CNI
Por Redação - Em 04/08/2026 às 12:01 AM

Quase metade dos industriais pretende ampliar a contratação de crédito para antecipar recursos de vendas realizadas a prazo FOTO: Agência Brasil
Mesmo após três reduções da taxa Selic em 2026, os juros continuam pressionando o caixa das empresas industriais. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 39% dos empresários esperam aumentar o endividamento bancário nos próximos três meses, enquanto mais da metade prevê recorrer com mais frequência ao crédito para manter as operações.
A pesquisa revela que o ambiente de crédito continua desafiador para a indústria brasileira. Segundo a CNI, 53% das empresas acreditam que precisarão ampliar a contratação de empréstimos para financiar contas a pagar, como compromissos com fornecedores, tributos e despesas operacionais. Entre elas, 38% esperam contratar esses recursos pagando juros ainda mais elevados.
Na avaliação da analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, a redução gradual da Selic ainda não foi suficiente para aliviar as condições financeiras enfrentadas pelas empresas.
“Mesmo depois dos três cortes de juros que tivemos em 2026, a taxa Selic continua muito alta e isso tem consequências negativas sobre a atividade industrial. Os resultados mostram que as empresas esperam uma maior pressão financeira nos próximos meses”, afirmou.
O levantamento também aponta dificuldades relacionadas ao fluxo de caixa. Quase metade dos industriais (47%) pretende ampliar a contratação de crédito para antecipar recursos de vendas realizadas a prazo, enquanto 42% acreditam que essas operações ocorrerão com custos financeiros maiores.
Outro ponto de atenção é o financiamento de estoques. Segundo a pesquisa, 42% das empresas projetam aumentar a tomada de crédito para aquisição de matérias-primas, produção ou manutenção de mercadorias armazenadas, enquanto apenas 13% esperam reduzir esse tipo de financiamento. O mesmo percentual, de 42%, acredita que os bancos elevarão os custos dessas operações.
Para o gerente de Política Econômica da CNI, Kleber de Castro, a percepção das empresas reflete um cenário em que a política monetária segue restritiva, apesar do início do ciclo de redução dos juros.
Segundo ele, o custo do crédito produtivo ainda demora a responder às mudanças na Selic, uma vez que a transmissão da política monetária ocorre com defasagem e mantém o financiamento empresarial em patamares elevados no curto prazo.
O impacto também aparece nas expectativas de rentabilidade. Cinco em cada dez empresários (58%) esperam redução da margem líquida nos próximos três meses. Diante desse cenário, 37% afirmam que deverão reajustar os preços de venda, enquanto 51% pretendem manter os valores atuais, absorvendo parte da pressão sobre os custos.
A Consulta Empresarial da CNI foi realizada entre 13 e 24 de julho de 2026 com 191 empresas industriais, distribuídas por 30 setores e 20 unidades da Federação. O levantamento indica que, embora o ciclo de flexibilização monetária tenha começado, a percepção predominante entre os industriais ainda é de crédito caro e pressão financeira sobre as operações.
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