Mudança de Cenário

Novo recompõe candidatura ao Governo após saída de Girão e mantém sua aposta no Senado

Por Fernando Benevides - Em 04/08/2026 às 10:18 PM

Poucas horas depois de Eduardo Girão ser confirmado candidato a vice-presidente na chapa de Romeu Zema, a convenção estadual em Fortaleza oficializou Pedro Brito ao Governo, Vera Lúcia para vice e o General Theophilo ao Senado. A cabeça da chapa mudou. O restante dela estava desenhado havia mais de um ano.
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Partido Novo Ceará fecha a chapa para as eleições deste 2026.   Foto: Divulgação

O Partido Novo encerrou as convenções eleitorais mostrando qual projeto vinha primeiro. Poucas horas depois de Eduardo Girão ser confirmado candidato a vice-presidente da República na chapa de Romeu Zema, a direção estadual reorganizou toda a candidatura ao Governo do Ceará. Pedro Brito assumiu a cabeça da chapa. O General Theophilo permaneceu onde já estava desde o ano passado: como principal aposta eleitoral da legenda para o Senado. Entre uma decisão e outra passaram-se cerca de cinco horas. À tarde, em Brasília, a convenção nacional confirmou Girão na disputa presidencial. À noite, em Fortaleza, o diretório estadual oficializou Pedro Brito ao Governo, Vera Lúcia como candidata a vice, General Theophilo ao Senado, além de homologar as candidaturas proporcionais e formalizar o alinhamento com a chapa presidencial do partido. No penúltimo dia do prazo das convenções, a chapa estadual foi recomposta sem alterar sua estratégia principal.

Quem entrou no lugar

Pedro Brito disputa sua segunda eleição. Em 2024, concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Fortaleza pelo Novo e não se elegeu. Durante a convenção, afirmou que percorreu municípios do interior ouvindo reclamações semelhantes sobre saúde e segurança pública e declarou que manterá alinhamento integral com as propostas defendidas por Eduardo Girão. A troca evidencia a diferença de peso político entre quem saiu e quem entrou. O Novo substituiu um senador da República, eleito em 2018 com mais de 1,3 milhão de votos, por um candidato que estreia numa disputa majoritária estadual. A substituição ocorreu no limite do calendário eleitoral e preservou a presença do partido na eleição para o Governo.

A chapa mudou. O projeto, não.

É justamente aqui que a leitura da convenção muda. A candidatura de General Theophilo ao Senado não nasceu da saída de Girão. Ela vinha sendo construída desde julho de 2025. Naquele momento, o Novo já trabalhava com a hipótese de Girão disputar o Governo do Estado e, por isso, lançou Theophilo como pré-candidato ao Senado. Durante o evento realizado no Sindipostos, em Fortaleza, o então presidente estadual do partido, Erick Paiva, apresentou o general como o nome responsável por dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Girão no Senado. Ou seja, a arquitetura eleitoral da legenda já estava pronta. O que a convenção desta terça-feira fez foi substituir apenas o candidato ao Governo. General de quatro estrelas, Theophilo comandou a Logística do Exército entre 2016 e 2018 e foi secretário nacional de Segurança Pública entre 2019 e 2020. Disputou o Governo do Ceará em 2018 pelo PSDB, quando terminou em segundo lugar. Na convenção desta terça, voltou a defender uma agenda centrada em segurança pública, escolas cívico-militares, atração de investimentos para o interior e geração de empregos. Há ainda uma ironia política. Em 2018, Theophilo disputou o Governo pelo PSDB. Oito anos depois, volta à eleição por um partido cuja principal objeção no Ceará é justamente a aliança da direita com o candidato tucano ao Palácio da Abolição.

A principal aposta permanece no Senado

Embora a troca tenha ocorrido na disputa pelo Governo, o principal ativo eleitoral do Novo continua concentrado na corrida ao Senado. Theophilo chega como o nome mais conhecido da chapa e disputará espaço com Cid Gomes, Capitão Wagner, Alcides Fernandes, Luizianne Lins e o segundo candidato que ainda será confirmado pela base governista. A saída de Girão reorganizou a disputa pelo Governo, mas ampliou a concorrência na eleição para o Senado.

Por que o Novo não vai com Ciro

A posição do Novo em relação a Ciro Gomes antecede a crise entre Michelle Bolsonaro e o PL cearense. Ainda em julho de 2025, a direção estadual afirmava que conversaria com qualquer força de oposição ao PT, mas apontava incompatibilidade política com Ciro Gomes e Roberto Cláudio, sustentando que ambos não pertenciam ao campo da direita e lembrando o histórico de enfrentamentos de Ciro ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Michelle Bolsonaro adotaria discurso semelhante meses depois. O Novo já havia tomado essa decisão antes.

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As convenções encerradas nesta semana revelaram dois modelos distintos de organização partidária. No PL, a direção nacional pressionou por um caminho, mas prevaleceu a construção feita pelo diretório estadual. A aliança com Ciro Gomes foi preservada e Alcides Fernandes permaneceu como candidato ao Senado. No Novo, ocorreu o movimento inverso. A decisão tomada em Brasília reorganizou imediatamente toda a estratégia estadual. A convenção realizada em Fortaleza adaptou a chapa à nova realidade criada pelo projeto presidencial. Nenhum dos dois modelos garante vantagem eleitoral. Mas ambos revelam como cada partido distribui poder entre suas direções nacionais e estaduais. As chapas estão definidas. O modelo de decisão de cada legenda também.

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