LUXO TROPICAL
Bahamas além do cartão-postal: história, arte e gastronomia entram no roteiro de Ana Paula Carneiro
Por Jussara Beserra - Em 11/08/2026 às 12:01 AM

Ana Paula Carneiro percorre endereços históricos e culturais das Bahamas – Fotos: Arquivo Pessoal
As Bahamas construíram boa parte de seu imaginário internacional sobre mar azul-turquesa, areia clara e resorts à beira-mar. Fora desse enquadramento conhecido, porém, Nassau e Paradise Island guardam uma combinação de patrimônio, arte, gastronomia e endereços reservados que ajuda a revelar outras camadas do arquipélago.
Ao percorrer Nassau e Paradise Island, Ana Paula Carneiro buscou justamente esse outro lado do destino. Curadora de alta joalheria e especialista em marcas de luxo, ela incluiu no roteiro lugares como o Graycliff, a National Art Gallery of The Bahamas, a destilaria John Watling’s, a comunidade Albany e o Ocean Club, além de passeios voltados à arquitetura e à vida marinha.
“As praias são realmente impressionantes, mas o que mais me encantou foi perceber como história, gastronomia e hospitalidade convivem de forma muito natural por lá. Cada lugar tem uma narrativa própria, o que torna a viagem ainda mais rica”, conta.
O olhar para além da praia coincide com um momento de forte circulação turística. As Bahamas receberam 12,5 milhões de visitantes em 2025, segundo o Ministério do Turismo, Investimentos e Aviação do país, alta de 11,4% em relação a 2024 e resultado mais de 70% superior ao registrado em 2019.
Vinhos entre séculos

Graycliff Wine Cellar reúne mais de 275 mil garrafas em Nassau
No centro histórico de Nassau, ao lado da Government House, o Graycliff ocupa uma mansão erguida em 1740. Um de seus espaços mais curiosos é a Graycliff Wine Cellar, considerada uma das maiores adegas privadas do mundo, com mais de 275 mil garrafas.
Parte da coleção ocupa um espaço que funcionou como prisão durante a Guerra Civil Americana e ainda preserva grades originais. Nas caves estão rótulos históricos, incluindo o raro Rüdesheimer Apostelwein de 1727.
“Caminhar por um espaço que preserva a arquitetura original da antiga prisão, enquanto abriga uma coleção construída ao longo de décadas, faz você enxergar cada garrafa quase como uma obra de arte”, observa Ana Paula.
Administrado pela família italiana Garzaroli desde 1973, o Graycliff possui 16 acomodações com mobiliário de época e restaurante comandado pelo chef Elijah Bowe, cuja cozinha reúne referências bahamenses, italianas e francesas. Nelson Mandela e Sean Connery estão na lista de personalidades que já passaram pela propriedade.
O endereço também mantém fábricas de charutos e chocolates abertas à visitação. A família participa ainda da revitalização da West Hill Street, hoje reconhecida pelos guarda-chuvas coloridos suspensos sobre a via.
Arte e memória em Nassau
A poucos minutos dali, a National Art Gallery of The Bahamas ocupa a Villa Doyle, mansão construída na década de 1860 por Sir William Doyle, primeiro bahamiano a receber um título de cavaleiro. Adquirido pelo governo em 1995, o imóvel foi reaberto como museu em 2003.
Seu acervo reúne pinturas, esculturas, têxteis e fotografias que atravessam diferentes momentos da produção artística do país e ajudam a compreender sua formação cultural e política, do período colonial à contemporaneidade.
Outro endereço preservado no centro da capital é a Buena Vista Estate, de 1789, onde funciona a John Watling’s Distillery. A propriedade já recebeu nomes como Burl Ives e Bobby Kennedy e serviu de locação para Cassino Royale, da franquia James Bond.
Hoje, a destilaria mantém a produção de rum e oferece degustações guiadas sobre processos de envelhecimento e blends. Para Ana Paula, é um programa que funciona melhor sem pressa: “É um passeio que vale reservar com calma, longe do fluxo maior de turistas”.
Arquitetura ajuda a contar a cidade
A leitura histórica continua pelas ruas de Nassau. Ana Paula recomenda um passeio particular dedicado à arquitetura colonial e à formação política da cidade, incluindo uma passagem pelo Fort Charlotte.
Construído em 1788 por ordem de Lord Dunmore e batizado em homenagem à rainha Charlotte, esposa do rei George III, o forte é o maior de New Providence. Seus cerca de 100 acres guardam fosso, masmorras, passagens subterrâneas e 42 canhões que nunca chegaram a ser disparados em combate.
Golfe e privacidade em Albany
Em New Providence, a Albany apresenta uma face distinta do destino. A comunidade fechada reúne marina, residências de alto padrão e um campo de golfe projetado pelo sul-africano Ernie Els, vencedor de quatro majors.
O campo recebe anualmente o Hero World Challenge, torneio organizado por Tiger Woods. A propriedade mantém regras rígidas de privacidade, incluindo restrições a fotografias de pessoas fora do próprio grupo.
Nomes como Mick Jagger, Alicia Keys e Justin Timberlake figuram entre moradores e frequentadores associados ao endereço, reforçando o perfil reservado que tornou Albany um dos pontos mais conhecidos do arquipélago no circuito internacional de alto padrão.
Do mar a Paradise Island

Passeio pelo mar das Bahamas inclui parada na famosa Pig Beach
A paisagem natural, naturalmente, segue indispensável. Ana Paula também percorreu o arquipélago em barco particular, com acompanhamento de tripulação especializada e paradas para observação de tubarões, golfinhos e tartarugas em seu habitat.
O percurso incluiu a famosa Pig Beach, onde porcos nadam em direção às embarcações, uma das imagens que se tornaram símbolos turísticos das Bahamas.
Em Paradise Island, a hospedagem escolhida foi o Ocean Club, A Four Seasons Resort. Inaugurado em 1962, o hotel ocupa uma extensa faixa de areia e mantém jardins inspirados em Versalhes, em uma área próxima ao centro da ilha.
A gastronomia é outro ponto do endereço. Instalado sobre um penhasco de areia branca com vista para o oceano, o DUNE by Jean-Georges tem cozinha comandada por Jean-Georges Vongerichten, chef francês também ligado ao restaurante do Palácio Tangará, em São Paulo. O cardápio combina referências francesas, asiáticas e caribenhas, com presença de frutos do mar e ingredientes locais.
“É um lugar que transmite calma desde o primeiro momento. Você toma café olhando para o mar, passeia pelos jardins sem pressa e entende por que tantas pessoas escolhem voltar”, resume Ana Paula.
A seleção mostra uma Bahamas que continua profundamente ligada ao mar, mas encontra em patrimônio, colecionismo, arquitetura, cozinha e arte outras razões para permanecer no radar de quem busca conhecer o Caribe para além de suas paisagens mais fotografadas.
Veja mais clicks!
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