ECONOMIA DO FUTURO

Elon Musk prevê que dinheiro perderá importância até 2036 com avanço da IA

Por Redação - Em 17/08/2026 às 12:26 AM

Elon Musk Daughter Vivian Jenna Wilson Presidential Address 032125 Dd95dbdcc7354d7fbb56279ddf60cdf4

Bilionário aposta que inteligência artificial e robôs elevarão a produção a ponto de reduzir a escassez, mas limites de energia, terra e matérias-primas desafiam a projeção

Elon Musk voltou a colocar uma data em uma de suas previsões mais ambiciosas sobre os efeitos da inteligência artificial na economia. O empresário afirmou que o dinheiro poderá perder grande parte de sua importância até 2036, em um cenário no qual IA e robôs seriam capazes de produzir bens e serviços em escala superior à capacidade de consumo da população.

A projeção foi apresentada em entrevista ao The Economist. Questionado sobre como suas empresas obteriam retorno financeiro em uma economia dominada pela inteligência artificial, Musk argumentou que a própria lógica econômica poderá ser alterada pelo aumento radical da produtividade.

Na visão do empresário, sistemas de IA combinados à robótica humanoide poderiam assumir parcela crescente das atividades hoje realizadas por pessoas. A consequência seria uma economia marcada pela abundância, com redução dos custos de produção e menor necessidade de trabalho humano.

A previsão para 2036 amplia uma tese que Musk vem defendendo nos últimos meses. Em outras declarações, ele estimou que, em um horizonte de 10 a 20 anos, trabalhar poderá se tornar opcional à medida que inteligência artificial e robótica assumam atividades produtivas e ampliem a disponibilidade de bens e serviços.

A lógica econômica por trás da projeção parte de um salto de produtividade. Se máquinas inteligentes conseguirem fabricar, transportar e prestar serviços com custos cada vez menores, a oferta poderia crescer muito mais rapidamente do que a demanda.

Nesse cenário, a economia enfrentaria uma pressão deflacionária estrutural. Produtos que atualmente exigem capital e mão de obra poderiam se tornar progressivamente mais baratos, reduzindo, na avaliação de Musk, a importância do dinheiro como instrumento para distribuir recursos.

A ideia está relacionada ao conceito de “renda alta universal” defendido anteriormente pelo empresário. Diferentemente da renda básica universal, destinada a assegurar um piso de subsistência, Musk imagina um ambiente no qual a produtividade tecnológica seria suficiente para proporcionar acesso amplo a bens e serviços.

A tese pressupõe, porém, que os ganhos proporcionados pela automação sejam distribuídos para além dos proprietários da infraestrutura tecnológica.

A previsão encontra um obstáculo econômico central: inteligência artificial pode multiplicar a produção de determinados bens e serviços, mas não elimina a escassez de recursos físicos.

Data centers dependem de energia, terrenos, semicondutores, água e minerais críticos. Imóveis em localizações específicas continuam limitados, assim como determinados recursos naturais e serviços cuja oferta não pode ser reproduzida indefinidamente.

Nesse contexto, o dinheiro continuaria desempenhando uma de suas funções fundamentais: definir como bens escassos são distribuídos entre diferentes interessados.

A própria expansão da infraestrutura de IA evidencia essa contradição. O desenvolvimento de modelos mais avançados exige investimentos crescentes em capacidade computacional e fornecimento de energia, enquanto empresas de tecnologia disputam chips e infraestrutura para sustentar a corrida pela inteligência artificial.

Transformação econômica

A possibilidade de o dinheiro perder relevância em apenas uma década depende não apenas da evolução tecnológica, mas de mudanças profundas na propriedade, distribuição de renda e acesso aos recursos produzidos pela automação.

Também não existe consenso entre especialistas sobre quando sistemas de inteligência artificial poderão superar amplamente as capacidades humanas em diferentes atividades, o que torna previsões com datas específicas particularmente incertas.

A declaração de Musk funciona, portanto, menos como uma projeção econômica convencional e mais como uma hipótese sobre o limite da automação. Se IA e robótica conseguirem transformar inteligência e trabalho em recursos extremamente abundantes, parte dos preços poderá cair de maneira significativa. Mas enquanto energia, terra, matérias-primas e ativos exclusivos permanecerem limitados, a escassez — e algum mecanismo para administrá-la — continuará fazendo parte da economia.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business