polêmica e recorde
Primeira Ferrari elétrica é vendida por US$ 40 milhões e se torna o carro novo mais caro já leiloado
Por Marlyana Lima - Em 17/08/2026 às 1:37 AM

Depois de gerar polêmica entre fãs da Ferrari, o modelo elétrico foi vendido por US$ 40 milhões – Fotos: Divulgação
Apresentada sob resistência de parte da clientela mais tradicional da Ferrari, a Luce acaba de produzir um argumento de US$ 40 milhões a favor de sua relevância. O primeiro chassi de produção do primeiro modelo totalmente elétrico da fabricante italiana foi arrematado por cerca de R$ 208 milhões no sábado (15), durante um leilão da RM Sotheby’s em Monterey, na Califórnia.
O resultado é significativo não apenas pela cifra. Identificado como “Chassis 0”, o exemplar estabeleceu um novo recorde para um carro novo vendido em leilão, superando os US$ 26 milhões alcançados anteriormente por uma Ferrari Daytona SP3 Tailor Made.
A venda acontece poucos meses depois de o Ferrari Luce provocar uma das discussões mais delicadas da história recente de Maranello. Primeiro automóvel 100% elétrico da Ferrari, o modelo mexeu em códigos que a marca levou décadas para consolidar: trocou o motor a combustão pela propulsão elétrica, adotou quatro portas, acomodação para cinco pessoas e uma linguagem de design que não encontrou unanimidade entre os ferraristas.

Ferrari Luce leiloada recebeu a pintura Madreperla Semi-Gloss, desenvolvida especificamente para o automóvel
Entre as vozes mais contundentes esteve Luca Cordero di Montezemolo, que presidiu a Ferrari entre 1991 e 2014. Ao comentar o Luce, o executivo afirmou enxergar o risco de se “destruir um mito” e chegou a dizer que esperava que retirassem o Cavallino Rampante do automóvel — uma crítica particularmente eloquente vinda de quem comandou a fabricante por mais de duas décadas.
É nesse contexto que os US$ 40 milhões pagos pelo Chassis 0 adquirem outra dimensão. O lance não encerra o debate sobre o lugar de um elétrico na tradição da Ferrari — tampouco pode ser interpretado como referência para o valor comercial do Luce, cujo preço inicial é de € 550 mil. Mas transforma o primeiro exemplar de produção de um dos modelos mais controversos da marca em uma peça de coleção antes mesmo de o carro ganhar as ruas em maior escala.

Design do novo modelo dividiu opiniões, mas é visto como evolução dos eletrificados
A exclusividade foi calculada nos detalhes. Preparado pelo programa Ferrari Tailor Made, o Chassis 0 recebeu a pintura Madreperla Semi-Gloss, desenvolvida especificamente para o automóvel. O acabamento perolado assume reflexos entre o verde e o violeta conforme a incidência da luz, tornando a configuração impossível de confundir com a de um Luce convencional.
Há ainda uma circunstância fundamental por trás da cifra recorde: o leilão teve caráter beneficente. Todo o valor arrecadado será destinado à Ferrari Foundation, que apoia iniciativas educacionais, enquanto a RM Sotheby’s abriu mão da taxa normalmente cobrada do comprador.
Assim, o recorde não significa necessariamente que os colecionadores tenham resolvido a controvérsia em torno da Ferrari elétrica. Revela algo talvez mais interessante: o modelo que desafiou a ideia do que uma Ferrari deveria ser já ocupa um lugar singular na história da própria marca.
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