Poder Fluminense

Douglas Ruas assume Alerj oficialmente enquanto STF decide futuro do Executivo

Por Julia Fernandes Fraga - Em 17/04/2026 às 3:12 PM

Douglasruas

O deputado estadual foi secretário do governo Cláudio Castro. Foto: Alerj

Em uma sessão extraordinária marcada por forte tensão política e boicote da oposição, quase um mês depois da primeira eleição em que foi eleito, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi escolhido novamente e empossado, nesta sexta-feira (17), como o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Candidato único após a retirada da postulação de Vitor Junior (PDT), Ruas recebeu 44 votos favoráveis e comandará a Casa até o fim de 2026.

A eleição ocorreu sob o signo da judicialização. Partidos de oposição, ligados ao grupo do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), retiraram-se do plenário em protesto contra a manutenção do voto aberto, decidida pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) na véspera. Para os oposicionistas, o modelo de votação aberta inibe dissidências na base governista e configura um jogo de “cartas marcadas”.

Instabilidade nos Três Poderes

A ascensão de Ruas acontece em um momento ímpar na história política fluminense. Com a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e de seu vice, Thiago Pampolha, que se tornou ministro do Tribunal de Contas (TCE-RJ), além da cassação do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o Estado vive um vácuo sucessório.

A nova eleição na Alerj foi necessária após o TSE cassar o mandato de Rodrigo Bacellar por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A retotalização dos votos, homologada nesta semana pelo TRE-RJ, devolveu ao PL a cadeira que era ocupada pelo ex-presidente, mantendo a legenda como a maior bancada da Casa e garantindo o favoritismo de Ruas no pleito interno.

Atualmente, o Rio é comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora o presidente da Alerj seja o próximo na linha sucessória, uma liminar do ministro Cristiano Zanin mantém o magistrado no Palácio Guanabara até que a Suprema Corte defina se a escolha do novo governador para o “mandato-tampão” será feita por eleição direta ou indireta.

Momento de diálogo

Em seu primeiro discurso oficial, Douglas Ruas criticou a ausência dos adversários, classificando o boicote como um “desrespeito aos eleitores”. O novo presidente anunciou que buscará uma reunião imediata com o governador interino, Ricardo Couto, para garantir a governabilidade.

“A Assembleia Legislativa deu um passo importante na retomada da normalidade institucional”, afirmou Ruas. O parlamentar também sinalizou apoio às auditorias e revisões de contratos iniciadas pelo governo interino, destacando que o estado enfrenta um déficit fiscal de aproximadamente R$ 19 bilhões.

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