Financiamento político

Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões amplia peso dos partidos nas negociações para 2026

Por Julia Fernandes Fraga - Em 05/06/2026 às 10:58 AM

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O modelo público de financiamento, determinado pelo TSE, foi implementado em 2017, após o fim das doações empresariais. Foto: Antonio Augusto/TSE

A divulgação da divisão dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições de 2026 marca o protagonismo das maiores legendas do país e adiciona um novo elemento às articulações que já movimentam a formação de chapas para a disputa presidencial, os governos estaduais e o Senado.

Os valores foram publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta semana e confirmam a concentração de recursos em partidos que lideram as negociações políticas em âmbito nacional. Juntos, PL, PT e União Brasil receberão cerca de 40% de todo o montante destinado ao financiamento público das campanhas.

O PL terá a maior fatia do fundo, com aproximadamente R$ 881,7 milhões. Em seguida aparecem o PT, com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Também figuram entre os maiores beneficiados PSD (R$ 421 milhões), PP (R$ 417 milhões), MDB (R$ 400 milhões) e Republicanos (R$ 348,5 milhões).

Os valores são repassados inicialmente às direções nacionais dos partidos, responsáveis por definir os critérios de distribuição entre candidatos em cada estado, observando as exigências legais estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Capacidade de articulação

Embora o Fundo Eleitoral seja destinado oficialmente ao custeio das campanhas, a distribuição dos recursos costuma influenciar diretamente o peso político das legendas nas negociações pré-eleitorais. Partidos com maior capacidade financeira tendem a exercer papel mais relevante na construção de alianças, na atração de candidatos competitivos e na definição de estratégias para as disputas majoritárias e proporcionais.

No Ceará, onde as conversas sobre a composição das chapas para Governo do Estado, Senado e legislativos seguem em andamento, o tamanho do fundo disponível para cada sigla passa a integrar o cálculo político das lideranças partidárias. A distribuição ocorre em um momento de intensificação das articulações tanto entre os grupos aliados ao governador Elmano de Freitas (PT) quanto entre os setores da oposição.

Como funciona a divisão

Criado em 2017 após o fim das doações empresariais para campanhas eleitorais, o Fundo Eleitoral é formado por recursos públicos previstos no Orçamento da União em anos de eleição.

A divisão segue critérios estabelecidos na legislação eleitoral. Do total disponível, 2% são distribuídos igualmente entre todos os partidos com registro no TSE; 35% são repartidos conforme a votação obtida para a Câmara dos Deputados na última eleição; 48% levam em conta o número de deputados federais eleitos; e os 15% restantes são distribuídos de acordo com a representação das legendas no Senado.

Os recursos só poderão ser utilizados após cada partido definir e divulgar seus critérios internos de distribuição, respeitando as exigências legais relacionadas, entre outros pontos, à participação de mulheres e pessoas negras nas candidaturas.

Com a corrida eleitoral de 2026 ganhando ritmo nos bastidores, a divisão do Fundo Eleitoral antecipa parte do mapa de forças que deverá influenciar as disputas nos estados e em Brasília nos próximos meses.

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