Sucessão Presidencial
Indústria coloca reforma tributária e equilíbrio fiscal no centro do debate eleitoral
Por Julia Fernandes Fraga - Em 23/06/2026 às 12:05 PM

O presidente Ricardo Alban conduziu o debate que reuniu centenas de representantes do setor em Brasília. Fotos: CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou na segunda-feira (22), em Brasília, um retrato das prioridades do setor produtivo para o governo que assumirá o país em 2027. Levantamento divulgado pela entidade mostra que empresários da indústria colocam a redução de impostos, a consolidação da reforma tributária e o equilíbrio fiscal à frente até mesmo de pautas tradicionalmente associadas ao desenvolvimento industrial.
Segundo a pesquisa, 29% dos executivos apontam a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária como principal prioridade para o próximo governo. Outros 22% defendem equilíbrio fiscal e melhoria da gestão pública, enquanto 21% citam o incentivo à indústria e à produção.
Os dados foram apresentados durante o evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, que reuniu empresários e os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
A fotografia do encontro também chamou atenção por reunir exclusivamente pré-candidatos posicionados no campo conservador e da centro-direita. Embora a CNI tenha apresentado uma agenda voltada a qualquer futuro ocupante do Palácio do Planalto, o evento acabou se mostrando como um dos primeiros espaços de interlocução entre o setor industrial e nomes que hoje disputam a liderança desse espectro político na corrida presidencial de 2026.
Outras figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Renan Santos (Missão), que também foram convidados pela entidade, não participaram da programação.
Prioridades do setor
Além da pesquisa, a CNI entregou aos presidenciáveis o documento Construindo o Brasil 2050, que reúne propostas para áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional, como infraestrutura, energia, inovação, financiamento, ambiente regulatório e política industrial.
Na abertura do encontro, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu uma agenda de longo prazo voltada à competitividade da economia brasileira. Para ele, o fortalecimento da indústria depende da combinação entre responsabilidade fiscal, desenvolvimento produtivo e redução do chamado Custo Brasil.
A entidade também chamou atenção para a perda de participação da indústria de transformação na economia brasileira, que passou de 35,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1985 para 13,7% em 2025.
Debate eleitoral
O encontro reforçou a entrada do setor industrial no debate sobre as prioridades econômicas que deverão pautar a sucessão presidencial de 2026. Ao reunir três pré-candidatos em torno de uma agenda econômica comum, a CNI buscou inserir temas como competitividade, produtividade e ambiente de negócios no centro das discussões sobre o futuro do país.
Entre os participantes esteve também Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e integrante da diretoria da CNI. O dirigente acompanhou os debates que envolveram temas considerados estratégicos para a indústria, como competitividade, energia e desenvolvimento econômico.
Ao apresentar suas prioridades aos pré-candidatos, a indústria sinaliza que pretende acompanhar de perto a formulação das propostas econômicas para 2027, mantendo no centro da discussão temas como reforma tributária, equilíbrio fiscal e redução dos custos que impactam a produção nacional.
- Flávio Bolsonaro
- Romeu Zema
- Ronaldo Caiado
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