Eleições 2026

Luizianne fecha a chapa de Elmano — e o governismo preserva a linha sucessória da vaga

Por Fernando Benevides - Em 05/08/2026 às 5:15 PM

Deputada federal da Rede foi confirmada na segunda candidatura ao Senado da chapa de Elmano de Freitas. Chagas Vieira, coordenador-geral da campanha governista, será o primeiro suplente. A composição encerra a última indefinição das convenções e revela como o grupo distribuiu candidatura e influência institucional entre seus aliados.

Img 5497

Chagas Vieira e Luizianne Lins

A última peça da chapa governista foi definida nesta quarta-feira (5).

Luizianne Lins (Rede) foi confirmada como candidata ao Senado na segunda vaga da coligação liderada pelo governador Elmano de Freitas (PT). A primeira suplência ficará com Chagas Vieira (PDT), coordenador-geral da campanha de Elmano no Ceará e ex-secretário-chefe da Casa Civil, um dos principais articuladores políticos do núcleo formado por Elmano de Freitas, Camilo Santana e Cid Gomes.

Após a confirmação da composição da chapa, Luizianne declarou à imprensa que as divergências políticas construídas ao longo dos últimos anos deveriam ficar em segundo plano e que, naquele momento, sua prioridade seria contribuir para a vitória da chapa governista. A manifestação simboliza uma reaproximação política depois de anos de embates, sobretudo com o grupo liderado por Camilo Santana.

O anúncio, feito pelo próprio governador Elmano de Freitas, encerra a principal negociação das convenções estaduais, mas seu significado vai além da escolha de um nome.

A candidatura ficou com a Federação PSOL-Rede.

A primeira linha sucessória permaneceu com o núcleo político do governismo.

O detalhe da suplência, nesse caso, não é protocolar. É parte da arquitetura política construída para viabilizar o acordo.

A candidatura ficou com a federação. A sucessão permaneceu com o governismo

Durante as últimas semanas, Chagas Vieira chegou a ser considerado como alternativa para disputar diretamente a segunda vaga ao Senado.

Antes disso, seu nome também foi cogitado para integrar a suplência da candidatura de Cid Gomes.

A solução construída foi outra: Luizianne disputará a eleição, enquanto Chagas ocupará a primeira posição na linha sucessória dessa cadeira.

Na primeira vaga governista ao Senado, Cid Gomes buscará a reeleição tendo o deputado federal Júnior Mano como primeiro suplente e Júlio Ventura mantido na segunda suplência, repetindo a posição que ocupa desde a eleição de 2018. São duas candidaturas distintas e duas linhas sucessórias independentes.

A relevância da primeira suplência ajuda a explicar o desenho da negociação. O primeiro suplente pode assumir o mandato em casos de licença, afastamento para exercício de cargo no Executivo ou vacância da cadeira. Em um mandato de oito anos, trata-se de uma posição com peso político e institucional muito superior ao de uma formalidade eleitoral.

Como a negociação chegou até aqui

A formação da chapa foi sendo construída por sucessivos rearranjos internos.

Domingos Filho deixou a disputa pela chapa majoritária e concentrou seu projeto político na eleição proporcional. A vice-governadoria foi definida com Gabriella Aguiar.

Até a terça-feira ainda existia uma alternativa relevante para a base governista.

Os diretórios estaduais do União Brasil e do Progressistas recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará para tentar anular a convenção da Federação União Progressista, que havia aderido à candidatura de Ciro Gomes.

Nos bastidores, interlocutores da base avaliavam que, caso obtivessem êxito na disputa judicial, Moses Rodrigues voltaria ao centro das negociações para ocupar a segunda vaga ao Senado, permitindo uma solução inteiramente interna, sem necessidade de composição com a Federação PSOL-Rede.

A derrota por quatro votos a dois no TRE-CE retirou essa possibilidade dentro do calendário das convenções e reduziu o espaço de negociação.

Na manhã desta quarta-feira, outro movimento consolidou o afunilamento.

Durante a convenção estadual do MDB, o deputado federal Eunício Oliveira confirmou que não disputaria o Senado. Explicou que foi surpreendido por um quadro de anemia profunda e que, embora tenha respondido bem ao tratamento, a perda de imunidade inviabilizava uma campanha eleitoral intensa. Também fez questão de afirmar que o MDB permanecia integrado ao projeto governista e que sua decisão não decorria de divergências políticas.

O presidente estadual do partido, Danniel Oliveira, acrescentou que Eunício continuaria participando das articulações da campanha e admitiu que o MDB ainda discutia espaços como uma eventual suplência.

Na mesma convenção, Chagas Vieira afirmou que não tinha projeto pessoal e que estaria à disposição da decisão do grupo. Horas depois, foi anunciado como primeiro suplente de Luizianne.

Com a alternativa da Federação União Progressista inviabilizada pela decisão do TRE-CE e a retirada definitiva de Eunício da disputa, a negociação concentrou-se na composição com a Federação PSOL-Rede.

No fim da tarde, Luizianne foi confirmada candidata ao Senado e Chagas Vieira oficializado como primeiro suplente.

O acordo distribuiu poder entre os aliados

A negociação tinha um preço político conhecido desde o início.

O PSOL aprovou a coligação com o PT condicionando o acordo à candidatura de Luizianne ao Senado.

Na sequência, a Federação PSOL-Rede homologou seu nome e aprovou uma resolução de apoio crítico à reeleição de Elmano de Freitas, preservando autonomia política e programática.

Como consequência direta desse entendimento, Jarir Pereira retirou sua candidatura ao Governo do Estado.

A negociação não evitou apenas um impasse interno. Ela também retirou do cenário uma candidatura própria da Federação PSOL-Rede ao Senado que poderia disputar votos fora da coligação governista.

Quando lançou sua candidatura, Luizianne deixou claro que permaneceria na disputa mesmo sem integrar a chapa de Elmano. A federação havia preservado essa possibilidade ao homologar seu nome.

Na prática, o governismo escolhia entre incorporar Luizianne à coligação ou enfrentar uma candidatura competitiva da esquerda ao Senado.

Esse desenho também explica por que a primeira suplência foi tratada como parte central da negociação.

Enquanto o MDB ainda discutia a possibilidade de ocupar esse espaço, o acordo final destinou a suplência ao PDT, contemplando diretamente o núcleo político responsável pela coordenação da campanha governista.

O desenho final distribuiu ativos políticos entre os dois lados: a Federação PSOL-Rede conquistou a candidatura que reivindicava, enquanto o governismo preservou a primeira linha sucessória da vaga.

O triângulo de 2012

A confirmação de Luizianne recompõe uma das imagens mais simbólicas da política cearense recente.

Em 2012, ela encerrava o segundo mandato como prefeita de Fortaleza e lançou Elmano de Freitas como candidato à sua sucessão.

Naquele momento, o grupo político liderado por Cid Gomes apoiou Roberto Cláudio, vencedor daquela eleição.

Catorze anos depois, Luizianne, Elmano e Cid integram a mesma chapa majoritária.

Roberto Cláudio está do outro lado, como candidato a vice-governador de Ciro Gomes.

Mais do que um reencontro político, a composição sintetiza a reorganização das alianças que marcaram a política cearense na última década. Personagens que estiveram em lados opostos em uma das disputas mais emblemáticas da história recente de Fortaleza agora compartilham o mesmo palanque estadual.

Como cada chapa montou suas suplências

As definições para o Senado revelaram caminhos diferentes entre governismo e oposição.

Na candidatura de Cid Gomes, o deputado federal Júnior Mano ocupará a primeira suplência, enquanto Júlio Ventura permanecerá como segundo suplente, posição que já ocupava desde a eleição de 2018 e na qual chegou a exercer o mandato de senador em 2022 durante licença de Cid Gomes. Na segunda candidatura governista, Chagas Vieira foi escolhido para a primeira suplência de Luizianne Lins.

Na oposição, Capitão Wagner terá como suplentes Prisco Bezerra, irmão de Roberto Cláudio, e Lúcio Gomes, irmão de Ciro Gomes.

Já Alcides Fernandes terá como primeiro suplente o ex-prefeito de Itapipoca João Barroso. A segunda suplência da candidatura de Alcides deverá constar do registro definitivo apresentado à Justiça Eleitoral, cujo prazo para oficialização de todas as candidaturas termina em 15 de agosto.

Leitura IN

A negociação não tratava apenas da distribuição de espaços.

Tratava também da eliminação de um risco eleitoral concreto.

Ao incorporar Luizianne à chapa depois de esgotadas as alternativas internas, o governismo evitou enfrentar uma candidatura própria da Federação PSOL-Rede ao Senado, preservou a unidade do campo aliado e, ao manter Chagas Vieira — coordenador-geral da campanha e um dos quadros mais próximos de Camilo Santana — na primeira suplência, garantiu ao núcleo político do governo influência direta sobre a linha sucessória dessa cadeira.

A comparação entre as duas chapas evidencia outro aspecto da eleição.

Na candidatura de Cid Gomes, a composição combina renovação e continuidade. Júnior Mano assume a primeira suplência, enquanto Júlio Ventura permanece na segunda posição, preservando na chapa um aliado que já exerceu efetivamente o mandato de senador durante licença de Cid Gomes. Na composição de Luizianne, a escolha de Chagas Vieira funciona como instrumento de equilíbrio político dentro da coalizão.

Nas duas coligações, a suplência deixou de ser um detalhe protocolar para se transformar em parte da arquitetura do poder.

Ficha da chapa governista

Cargo Nome Partido
Governador Elmano de Freitas PT
Vice-governadora Gabriella Aguiar PSD
Senado (1ª vaga) Cid Gomes PSB
1º suplente Júnior Mano PSB
2º suplente Júlio Ventura PSB
Senado (2ª vaga) Luizianne Lins Rede
1º suplente Chagas Vieira PDT

As candidaturas encerraram a disputa visível. As suplências revelaram como cada grupo pretende preservar poder para além das urnas.

Leia também

  • TRE-CE mantém Federação União Progressista na chapa de Ciro Gomes por 4 votos a 2
  • Girão deixa disputa ao Governo e integra chapa presidencial de Romeu Zema
  • Novo recompõe candidatura ao Governo e confirma Pedro Brito no Ceará
  • Convenções encerram definição das chapas para o Governo do Ceará

Mais notícias

Ver tudo de IN Poder