Novo Cenário
RealTime põe Ciro e Elmano em 44% e expõe nova divergência entre pesquisas
Por Fernando Benevides - Em 20/08/2026 às 8:43 AM
Ciro aparece quatro pontos acima de julho, mas cenário anterior incluía Eduardo Girão com 7%; rejeição também produz fotografia radicalmente diferente da encontrada pelo Datafolha

Ciro e Elmano disputam o Governo do Ceará
A pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, 20, mostra Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) com 44% cada no primeiro turno da disputa pelo Governo do Ceará. Numa eventual disputa direta, Elmano aparece com 46% e Ciro, 45%.
O empate é o número que vai circular. Mas há dois dados importantes para entender a rodada: a disputa está fortemente concentrada em Ciro e Elmano e a lista apresentada ao eleitor mudou em relação ao levantamento anterior do próprio instituto.
Juntos, os dois candidatos reúnem 88% das intenções de voto estimuladas. Vera Lúcia e Delegado Huggo aparecem com 1% cada, outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 4% e 5% não sabem ou não responderam.
O RealTime ouviu 1.600 eleitores entre 15 e 19 de agosto, por abordagens telefônicas e digitais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Contratado pelo próprio instituto, o levantamento está registrado no TSE sob o número CE-08223/2026.
Ciro aparece quatro pontos acima — mas a lista mudou
Em julho, o RealTime registrava Elmano com 44% e Ciro com 40%. Agora, Elmano permanece nominalmente no mesmo patamar e Ciro aparece quatro pontos acima.
Há, porém, uma diferença importante: o cenário anterior incluía Eduardo Girão (Novo), com 7%. Girão deixou a disputa, e a composição atual da lista é diferente.
Isso não permite afirmar que os eleitores de Girão migraram para Ciro — pesquisas medem amostras diferentes, não a trajetória individual do voto. Mas também impede tratar automaticamente os quatro pontos como crescimento produzido exclusivamente por mudança de preferência do eleitor.
O dado objetivo é: Ciro passou nominalmente de 40% para 44%, Elmano permaneceu em 44% e a lista de candidatos mudou entre as duas rodadas.
No segundo turno, onde a comparação é direta, a estabilidade é maior. Em maio, o RealTime marcou Elmano 46% × Ciro 45%; em julho, 47% × 45%; agora, 46% × 45%. A fotografia de uma disputa apertada, portanto, já vinha aparecendo na série do instituto.
A maior divergência pode estar na rejeição
Se o primeiro turno separa RealTime e Datafolha, a rejeição revela uma diferença ainda mais expressiva.
No RealTime, Ciro registra 42% de rejeição e Elmano, 41% — empate técnico.
No Datafolha realizado entre 10 e 12 de agosto, a fotografia foi outra: Elmano tinha 35% e Ciro, 21%. Uma diferença de 14 pontos.
Os institutos, portanto, não divergem apenas sobre a distância entre os candidatos, mas também produzem retratos bastante diferentes sobre a resistência do eleitorado a cada um deles.
Isso não significa que um levantamento esteja necessariamente certo e outro errado. São pesquisas independentes, com amostras e metodologias distintas.
Espontânea também muda a fotografia
Quando nenhuma lista é apresentada, o RealTime mostra Elmano com 23% e Ciro com 20%, também em empate técnico. O dado de maior dimensão é outro: 46% não sabem ou não responderam.
No Datafolha, a espontânea havia apontado o sentido inverso: Ciro 28% × Elmano 20%.
A divergência entre os institutos, portanto, não está restrita à pergunta estimulada.
Três pesquisas, três fotografias
Os levantamentos realizados em períodos próximos produzem dimensões bastante diferentes da vantagem entre Ciro e Elmano.
O Datafolha, com campo entre 10 e 12 de agosto, encontrou Ciro 52% × Elmano 33% — vantagem de 19 pontos. No segundo turno, 55% × 37%.
O Atlas/Focus, realizado entre 6 e 11 de agosto, registrou, nos votos totais, Ciro 49,3% × Elmano 44,6% — diferença de 4,7 pontos.
E o RealTime, com campo entre 15 e 19 de agosto, encontra agora 44% × 44%.
Datafolha: Ciro +19.
Atlas/Focus: Ciro +4,7.
RealTime: empate.
Os números não formam uma única série. O Datafolha realizou entrevistas presenciais em pontos de fluxo; o Atlas utiliza recrutamento digital aleatório; e o RealTime combinou abordagens telefônicas e digitais. As diferenças metodológicas precisam ser consideradas, mas os dados disponíveis não permitem identificar isoladamente o que explica a distância entre os resultados.
Senado: Cid lidera; Wagner e Luizianne têm 21%
Na corrida pelas duas vagas ao Senado, Cid Gomes (PSB) aparece com 27%, seguido por Capitão Wagner (União Brasil) e Luizianne Lins (Rede), ambos com 21%. Alcides Fernandes (PL) tem 14% e Guilherme Theophilo (Novo), 5%.
Luizianne tinha 14% na rodada de julho e agora aparece sete pontos acima. Também neste caso, porém, a lista de candidatos mudou entre os levantamentos, o que recomenda cautela antes de interpretar a diferença como crescimento eleitoral.
O que a pesquisa permite concluir
O RealTime estabelece uma fotografia clara: Ciro e Elmano concentram a disputa e estão tecnicamente empatados. Juntos, somam 88% no primeiro turno e 91% numa disputa direta. Até a rejeição aparece praticamente dividida.
O levantamento não permite estabelecer sozinho, porém, a dimensão de uma eventual evolução entre julho e agosto, porque a lista apresentada aos entrevistados mudou entre as duas rodadas.
Há ainda uma questão maior. Datafolha, Atlas e RealTime continuam produzindo fotografias significativamente diferentes da eleição cearense — e a divergência aparece na intenção estimulada, na espontânea e, sobretudo, na rejeição.
À medida que a campanha avança, mais importante do que transformar cada levantamento em corrida de cavalos será acompanhar a série de cada instituto — e observar se essas diferentes réguas começam a convergir.
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