JUSTIÇA & PODER
Senado avança com PEC que pode extinguir aposentadoria punitiva e redefinir regras para magistrados e carreiras de Estado
Por Suzete Nocrato - Em 18/03/2026 às 10:42 AM

Senado deve analisar, nesta quarta-feira (17), a Proposta de Emenda à Constituição. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Em um movimento que reposiciona o debate sobre moralidade administrativa no país, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Senado convergem em torno de uma mudança estrutural no regime disciplinar de carreiras de Estado. Na esteira da decisão do ministro Flávio Dino, que considerou incompatível com a Constituição a aposentadoria compulsória como punição a magistrados, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa nesta quarta-feira, 18/3, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada por ele quando ainda exercia mandato parlamentar.
Relatada pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), a matéria, com parecer favorável, será votada a partir das 9h e, se aprovada, segue diretamente ao plenário.
O cerne da proposta reside na vedação expressa da aposentadoria como sanção disciplinar, substituindo-a, nos casos mais graves, pela perda do cargo — inclusive em funções vitalícias. A mudança alcança magistrados, integrantes do Ministério Público e militares, aproximando essas carreiras das regras já aplicadas aos demais servidores públicos.
A tramitação ocorre em sintonia com o entendimento recente do STF, no qual Dino afirma que a prática perdeu respaldo constitucional após a Reforma da Previdência de 2019, destacando que a manutenção de salários ao agente punido contraria princípios estruturantes da administração pública.
No parecer apresentado à CCJ, Eliziane Gama sustenta que a proposta corrige distorções históricas e fortalece a credibilidade das instituições, ao enfrentar um modelo que, segundo ela, alimenta a percepção de impunidade. A relatora defende ainda a uniformização do regime disciplinar no serviço público, eliminando assimetrias entre carreiras e prevendo que a perda do cargo possa ocorrer após processo administrativo com garantia de contraditório e ampla defesa, sem a necessidade, em determinados casos, de decisão judicial prévia.
Na justificativa da PEC, Dino argumenta que a aposentadoria compulsória distorce a natureza previdenciária do instituto e critica situações em que a penalidade se torna financeiramente vantajosa ao sancionado. O tema ganhou novo fôlego após decisões recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reacendendo discussões sobre a efetividade das punições aplicadas a magistrados.
Nos bastidores, a avaliação é de que o alinhamento entre STF e Congresso pode acelerar a tramitação da proposta, sinalizando uma inflexão relevante na governança e na responsabilização de agentes públicos no Brasil.
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