Sistema financeiro
STF prorroga inquérito por 60 dias e mantém sob lupa fraude bilionária no Banco Master
Por Julia Fernandes Fraga - Em 18/03/2026 às 4:47 PM

Ministro André Mendonça, relator do caso, atendeu pedido da PF. Foto: Gustavo Moreno/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, prorrogou por mais 60 dias o inquérito que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que solicitou mais prazo para concluir diligências consideradas essenciais ao esclarecimento dos fatos.
Segundo Mendonça, os argumentos apresentados pela PF justificam a extensão das investigações, que seguem sob supervisão do Supremo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi intimada a se manifestar sobre a continuidade do caso.
Operação e valores sob suspeita
O inquérito está ligado à Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de concessão de créditos supostamente fraudulentos pelo Banco Master. Entre os pontos apurados está a tentativa de venda de carteiras de crédito ao BRB, envolvendo valores que podem chegar a R$ 12,2 bilhões, além de indícios de ativos inflados para elevar artificialmente o patrimônio da instituição. Estimativas preliminares indicam que o total das fraudes investigadas pode alcançar R$ 17 bilhões, ampliando o alcance do caso dentro do sistema financeiro.
Mudança de relatoria e desdobramentos
Esta é a segunda prorrogação do inquérito. A primeira ocorreu em janeiro, ainda sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Ele deixou o caso após ser citado em mensagens encontradas em celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso na Penitenciária Federal em Brasília.
Com a redistribuição, Mendonça assumiu a condução do processo, que segue em fase avançada de apuração. A investigação envolve diretores das instituições financeiras, empresários e ex-executivos ligados ao negócio.
Pressão institucional
A nova prorrogação sinaliza que o caso ainda demanda aprofundamento técnico e jurídico, especialmente diante da complexidade das operações investigadas e do impacto potencial no sistema bancário. Nos bastidores, a manutenção do inquérito no STF reitera a dimensão institucional do episódio, que envolve banco público, cifras bilionárias e possíveis reflexos regulatórios no mercado financeiro brasileiro.
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