Relações externas
Trump elogia Flávio Bolsonaro e amplia repercussão de encontro na Casa Branca
Por Julia Fernandes Fraga - Em 03/06/2026 às 11:18 AM

O senador esteve acompanhado pelo irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e pelo blogueiro Paulo Figueiredo. Foto: Reprodução/Truth Social
A publicação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com elogios ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ganhou repercussão política pelo momento em que veio a público. Divulgada na terça-feira (2), uma semana após o encontro entre os dois na Casa Branca, a imagem foi compartilhada no mesmo dia em que o governo brasileiro reagiu à investigação comercial conduzida por Washington e à possibilidade de novas tarifas sobre produtos nacionais.
“Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca. Um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil”, escreveu Trump ao divulgar a fotografia do encontro realizado em 26 de maio.
Timing da publicação
A divulgação da foto coincidiu com um momento de aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Nesta semana, a administração americana avançou em uma investigação comercial que poderá resultar na imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
Em nota oficial, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu a ofensiva americana a articulações promovidas pela família Bolsonaro junto a aliados de Trump nos Estados Unidos. O grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro rejeita essa interpretação.
PCC, tarifas e interlocução direta
Após a viagem a Washington, Flávio afirmou que levou ao presidente americano temas ligados à segurança pública e ao comércio bilateral.
Segundo o senador, um dos pedidos apresentados foi a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Dias depois da reunião, o governo americano anunciou a inclusão das duas facções na lista de organizações terroristas globais.
Flávio também disse ter defendido os interesses econômicos brasileiros durante a conversa, pedindo que os Estados Unidos não avancem com novas tarifas sobre empresas do país.
Repercussão política
Na tentativa de afastar críticas de que aliados do bolsonarismo teriam contribuído para o agravamento da crise comercial, o senador enviou ainda na terça-feira um ofício ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
No documento, Flávio pede que Washington não adote novas sanções comerciais contra o Brasil e argumenta que medidas desse tipo poderiam gerar impactos econômicos negativos para empresas e consumidores brasileiros.
Em meio ao ambiente pré-eleitoral brasileiro e ao novo capítulo das relações entre Brasília e Washington, a postagem transformou um encontro reservado em um gesto de forte simbolismo político.
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