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Imunização, transformação digital, longevidade e novos modelos assistenciais marcam debates do 11° Fórum LIDE de Saúde e Bem-Estar

Por carol - Em 7 de junho de 2022

A medicina é uma ciência de verdades transitórias. Na pandemia, essas verdades estão sendo muito transitórias. A crise sanitária trouxe oportunidades, que podem render bons debates.” Com essa fala, Claudio Lottenberg, presidente do LIDE Saúde, abriu a 11ª edição do Fórum LIDE de Saúde e Bem-Estar. O encontro deste ano tem um significado especial por voltar a ser realizado presencialmente.

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O novo coronavírus colocou as vacinas no centro do debate médico. Porém, meses após o início da imunização, ainda existem questões que precisam ser analisadas. É o caso, por exemplo, de Portugal: mesmo com mais de 90% da população plenamente vacinada, o país europeu vem testemunhando um aumento significativo na taxa de contágio — e, consequentemente, de óbitos decorrentes da Covid.

Do ponto de vista infectológico, segundo Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente do Instituto de Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein, pode ser o caso de repensar a estratégia. “Boa parte das vacinas que estão em estudo focam em impedir a infecção no próprio indivíduo. No entanto, talvez seja necessário focar em impedir o contágio, e apenas uma pequena parcela das vacinas que estão em desenvolvimento têm esse foco”, explica Rizzo.

Apesar de alguns lugares estarem com a população amplamente imunizada, é necessário levar em conta o desequilíbrio no acesso às vacinas. “Na África, por exemplo, temos apenas 16% da população vacinada contra a Covid. Enquanto tivermos locais com baixa cobertura, ainda teremos altas taxas de contágio e o surgimento de novas variantes”, aponta Adriana Polycarpo, diretora médica da Pfizer.

Além do combate ao vírus, durante a pandemia, a comunidade científica se viu enfrentando o ceticismo de leigos, que questionaram sem embasamento a eficácia das vacinas. Essa questão, porém, não é exclusividade da era contemporânea. “A ciência não foi mais maltratada durante da pandemia do que ela sempre foi”, afirma Rizzo. O infectologista menciona o episódio conhecido como a Revolta da Vacina, quando a população do Rio de Janeiro realizou diversos protestos contra a obrigatoriedade da vacinação ainda no início do século XX.

Felizmente, o movimento antivacina é algo pouco expressivo no Brasil, cujo Plano Nacional de Imunização completa 50 anos em 2023. O País é um dos mais eficientes em cobertura vacinal, e parte do sucesso se deve aos Dias Nacionais de Vacinação, data em que o mascote Zé Gotinha convoca a população a atualizar a caderneta de imunização. “Vacinação é um ato de cuidado com o próximo, um ato de cidadania”, afirma Rizzo.

Participaram do debate Glaucia Vespa, diretora médica para a América Latina da Ipsen; e Joana Adissi, diretora geral de Vacinas da Sanofi.

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