COMÉRCIO EXTERIOR
Alckmin aposta em acordo com os EUA e afasta retaliação após avanço da reciprocidade
Por Redação - Em 17/08/2026 às 1:53 PM

Vice-presidente afirma que Brasil permanecerá na mesa de negociação para tentar derrubar sobretaxas e defende equilíbrio nas relações com Washington e Pequim FOTO: Agência Brasil
O avanço do processo de reciprocidade comercial do Brasil diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos não significa que o governo brasileiro tenha optado por uma escalada na disputa entre os dois países. A avaliação é do vice-presidente Geraldo Alckmin, que afirmou nesta segunda-feira (17) que a prioridade continua sendo a negociação para a retirada das sobretaxas aplicadas aos produtos brasileiros.
Durante participação na conferência anual do Santander, Alckmin rejeitou a interpretação de que o mecanismo tenha caráter retaliatório. “Não é retaliação, não há interesse em retaliar ninguém. Olho por olho, o máximo que pode acontecer é todo mundo ficar cego”, declarou.
A manifestação ocorre em meio aos esforços do governo brasileiro para responder ao tarifaço norte-americano sem interromper o diálogo bilateral. Apesar da abertura do processo de reciprocidade, Alckmin indicou que Brasília continuará buscando uma saída negociada.
Negociação prolongada
O vice-presidente demonstrou confiança na possibilidade de um entendimento capaz de eliminar as barreiras comerciais, mas ponderou que as conversas podem levar tempo até produzirem resultados concretos.
“O Brasil não sai da mesa de negociação. Então, vamos ter um pouquinho de paciência que as coisas vão andar e andar bem”, afirmou. Na sequência, reforçou sua expectativa sobre o desfecho das tratativas: “Eu acredito que vai ter acordo do Brasil com os Estados Unidos”.
A estratégia sinalizada pelo governo combina, assim, o uso dos instrumentos comerciais disponíveis ao País com a manutenção dos canais diplomáticos. Na prática, a reciprocidade funciona como uma possibilidade de resposta às medidas adotadas contra produtos brasileiros, enquanto as negociações permanecem abertas.
Equilíbrio entre EUA e China
Alckmin também defendeu que o País evite transformar suas relações comerciais em uma escolha entre Estados Unidos e China. Para o vice-presidente, o Brasil deve preservar os vínculos econômicos com as duas potências, apesar da disputa comercial e geopolítica entre Washington e Pequim.
Os dois mercados ocupam posições distintas e estratégicas para a economia brasileira. A China é o principal destino das exportações nacionais, enquanto os Estados Unidos se destacam como origem dos maiores investimentos internacionais direcionados ao Brasil.
“Ser amigo dos dois é o bom caminho”, resumiu Alckmin.
A declaração indica que o governo pretende preservar uma política comercial pragmática em meio ao aumento das tensões internacionais. Enquanto tenta negociar a retirada das tarifas norte-americanas, Brasília busca evitar que a disputa entre as duas maiores economias do mundo imponha ao País uma escolha de alinhamento comercial.
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