ECONOMIA AZUL
Ceará transforma tradição pesqueira em ativo global e lidera exportações no País
Por Marcelo Cabral - Em 05/06/2026 às 5:39 PM
Entre o saber tradicional dos pescadores e a operação industrial voltada à exportação, o Ceará vem redesenhando o papel da pesca na economia contemporânea do Brasil. O Estado assumiu a liderança nacional nas exportações de pescados, com US$ 28,7 milhões embarcados apenas até abril – resultado que reflete não apenas volume, mas organização de cadeia e capacidade de acesso a mercados exigentes.

Lagosta : um dos principais produtos da pauta exportadora do Ceará Fotos: Thiago Gaspar/Casa Civil
Nesse movimento, empresas como a Compex Pescados ajudam a traduzir a escala e o nível de profissionalização do setor. A operação, que atende mercados na Ásia, Oceania e América do Norte, exemplifica a transição de uma atividade tradicional para uma indústria orientada por padrões internacionais.
Com logística estratégica e cadeia produtiva integrada, o Ceará consolida o seu protagonismo no mercado internacional de pescados. “O desempenho do estado deve-se ao compromisso e profissionalismo dos pescadores e de todos que participam desse processo”, afirma Paulo Gonçalves.
Localização e infraestrutura

Equipamentos modernos garantem a qualidade dos pescados cearenses
A competitividade, no entanto, não está apenas na produção. A localização geográfica e a infraestrutura logística – com portos e aeroporto internacional -, funcionam como alavancas decisivas para o escoamento de produtos perecíveis em escala global. “As facilidades logísticas do Ceará contribuem muito para esse protagonismo, pois estamos muito bem servidos, com dois portos de cargas gerais e um aeroporto internacional”, destaca o diretor Comercial da Compex.
O avanço do setor também revela uma articulação mais ampla entre iniciativa privada e políticas públicas, especialmente em momentos de pressão externa, como o recente endurecimento tarifário nos Estados Unidos. Medidas emergenciais ajudaram a preservar a operação da cadeia e manter empregos, reforçando a resiliência do segmento.
Para o secretário-executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), Sílvio Carlos, o cenário ainda está longe do limite. “O Ceará tem tradição na economia do mar e os números demonstram que ainda há muito espaço para crescer”, afirma.
‘Geladeira logística’
O avanço das exportações de pescados também impulsionou investimentos em infraestrutura logística no Ceará. Um bom exemplo é o terminal de cargas frias da Fracht Log, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Utilizado por exportadores e importadores para o armazenamento de mercadorias antes do embarque internacional, o equipamento supre uma demanda histórica do estado: a ausência de uma grande estrutura voltada ao armazenamento refrigerado próximo ao porto.
Contando com um investimento de R$ 120 milhões, o terminal do grupo suíço funciona como uma espécie de ‘geladeira logística’ para produtos congelados, garantindo maior eficiência no fluxo de exportações de itens como camarão, lagosta, sardinha e outros pescados. Localizado a apenas oito quilômetros do Porto do Pecém, o terminal permite que as cargas sejam armazenadas em temperaturas de até -25°C e encaminhadas ao embarque com mais agilidade e segurança.
Com novos mercados no radar – especialmente a Europa -, o setor projeta um novo ciclo de expansão. Mais do que exportar pescados, o Ceará passa a exportar eficiência logística, rastreabilidade e valor agregado. Um movimento que posiciona o Estado não apenas como fornecedor, mas como protagonista na Economia Azul global.

Terminal de cargas frias mantém os pescados armazenados a uma temperatura que chega aos -25ºC
Mais notícias
MERCADO IMOBILIÁRIO

![[set] Banners Dinheiro Na Mão 830x110px](https://www.portalin.com.br/wp-content/uploads/2026/01/set-banners-dinheiro-na-mao-830x110px.png)
























