Mercado de Crédito

Moody’s vê pressão sobre empresas brasileiras com dívidas até 2028

Por Redação - Em 06/08/2026 às 10:46 AM

Agência Moodys

Para investidores, o relatório da Moody’s reforça a importância de acompanhar não apenas o nível de endividamento das companhias, mas também o cronograma de vencimentos, a liquidez disponível e a capacidade de acesso a diferentes fontes de financiamento

As empresas brasileiras devem enfrentar um cenário mais desafiador para refinanciar dívidas nos próximos anos, segundo avaliação da agência de classificação de risco Moody’s. O alerta concentra-se nas companhias não financeiras e não reguladas que possuem vencimentos relevantes até 2028, em um ambiente ainda marcado por juros elevados, acesso mais seletivo ao crédito e custos financeiros elevados.

Entre janeiro e julho de 2026, a Moody’s realizou 12 ações negativas de rating envolvendo empresas brasileiras desse segmento. As medidas incluem rebaixamentos de nota e revisões de perspectiva, mas não significam que essas empresas estejam inadimplentes. A agência destaca que cerca de 14% das companhias avaliadas atualmente possuem perspectiva negativa ou estão sob revisão para possível rebaixamento.

Segundo a análise, o principal desafio está na capacidade de refinanciar obrigações financeiras em um mercado mais restritivo. Empresas com grandes volumes de dívida concentrados nos próximos anos podem enfrentar custos maiores para captar recursos, especialmente se não fortalecerem indicadores de crédito ou reduzirem sua alavancagem.

A Moody’s ressalta que a inclusão de uma companhia entre as mais expostas ao refinanciamento não representa, por si só, um problema de liquidez imediato. O relatório aponta que essas empresas carregam volumes expressivos de vencimentos até 2028, o que exige planejamento financeiro, disciplina na gestão de caixa e acesso contínuo ao mercado de capitais.

O diagnóstico também reflete um contexto macroeconômico ainda desafiador. Apesar das expectativas de redução gradual dos juros, o custo do crédito permanece elevado em relação aos padrões históricos, tornando mais caro substituir dívidas antigas por novas emissões. Esse ambiente tende a favorecer empresas com balanços mais sólidos e maior capacidade de geração de caixa, enquanto grupos mais alavancados podem enfrentar condições menos favoráveis para captar recursos.

Para investidores, o relatório reforça a importância de acompanhar não apenas o nível de endividamento das companhias, mas também o cronograma de vencimentos, a liquidez disponível e a capacidade de acesso a diferentes fontes de financiamento. Em um mercado de crédito mais seletivo, esses fatores ganham peso na avaliação do risco corporativo e podem influenciar futuras decisões das agências de classificação.

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