TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Nordeste concentra 92% da energia eólica do país e busca transformar vantagem verde em desenvolvimento
Por Marcelo Cabral - Em 16/08/2026 às 5:46 PM

Projeto Futuros Verdes no Nordeste percorrerá os nove estados da região Nordeste
O Nordeste concentra 92% de toda a energia eólica produzida no Brasil e abriga cinco das dez maiores usinas solares do país. Transformar esse potencial em desenvolvimento, porém, depende de infraestrutura, qualificação profissional, mercado, regulação e capacidade de conectar recursos naturais a novas cadeias produtivas. É justamente essa equação que o projeto Futuros Verdes no Nordeste pretende investigar ao percorrer os nove estados da região.
A iniciativa reúne o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR) e busca mapear oportunidades econômicas, setores produtivos, capacidades e competências que possam contribuir para a transição do Nordeste para uma economia de baixo carbono.
A proposta envolve ouvir especialistas e representantes do setor produtivo para converter o conhecimento sobre sustentabilidade em orientações estratégicas adaptadas às diferenças econômicas e territoriais dos estados nordestinos.
O trabalho também pretende identificar quais profissionais e competências serão necessários em uma economia progressivamente influenciada pelas mudanças climáticas, pela expansão das fontes renováveis e pelas novas exigências ambientais impostas às empresas.
Empregos verdes exigirão novas qualificações
Outro componente dessa transformação está no mercado de trabalho. A expansão da economia de baixo carbono não depende apenas de investimentos físicos. Ela exige profissionais preparados para atividades e tecnologias que ainda estão ganhando escala.
O projeto pretende, por isso, mapear também as necessidades de formação e capacitação profissional nos nove estados.
Nicolis Amaral, do Instituto Clima e Sociedade, avalia que as próprias profissões tendem a se transformar conforme surgem novas demandas.
Engenheira química de formação, ela usa a própria trajetória profissional como exemplo. Sua graduação teve foco no setor de petróleo, e a especialização em descarbonização ocorreu posteriormente, por meio de cursos adicionais.
A experiência ilustra uma questão que deverá ganhar importância à medida que investimentos sustentáveis avancem: currículos profissionais concebidos para uma economia intensiva em carbono terão de incorporar conhecimentos associados às novas tecnologias e às exigências ambientais.
“Tudo que é demandado é a transformação e o emprego verde vai exigir uma transformação contínua”, afirma Nicolis.
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