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Tarsila do Amaral ganha exposição imersiva com mais de 70 obras nos 140 anos de seu nascimento
Por Marlyana Lima - Em 16/08/2026 às 5:55 PM

“O Brasil de Tarsila” reúne mais de 70 obras reproduzidas, animadas ou projetadas em um percurso de 14 salas – Fotos: Divulgação
Às vésperas dos 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral, uma das artistas mais importantes da história brasileira ganha uma exposição que troca a contemplação convencional por uma experiência sensorial. “O Brasil de Tarsila” reúne mais de 70 obras reproduzidas, animadas ou projetadas em um percurso de 14 salas que combina imagens em 360 graus, cenografia, música, aromas e dispositivos interativos.
A mostra está instalada no Nubank Art Lab, novo espaço cultural com mais de 2,7 mil metros quadrados no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, e fica em cartaz até 31 de outubro.
A proposta é aproximar diferentes públicos da trajetória da pintora, cujo nascimento, em setembro de 1886, completa 140 anos em 2026. Não há obras originais no percurso. Em vez disso, a exposição aposta na tecnologia e na linguagem imersiva para criar novas formas de contato com o universo de Tarsila do Amaral.
O visitante poderá sentir aromas, repousar diante de uma paisagem criada pela artista, percorrer uma experiência de trem acompanhada de frases de Tarsila, posar ao lado de uma reprodução do Abaporu e até inserir a própria cabeça em uma versão interativa de Operários, uma das imagens mais reconhecidas do modernismo brasileiro.
Segundo os organizadores, trata-se da maior exposição imersiva já dedicada ao legado da artista.
De ‘Abaporu’ a ‘Operários’

A seleção também procura trazer ao público trabalhos menos conhecidos e obras que dificilmente podem ser vistas presencialmente
A experiência sucede, em outro formato, o alcance obtido por Tarsila Popular, exposição que recebeu mais de 400 mil visitantes e se tornou uma das mostras mais visitadas da história do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
Desta vez, a proposta não é reunir fisicamente as telas da pintora, mas explorar novos suportes para apresentá-las ao público.
A curadoria de O Brasil de Tarsila é assinada por Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta da artista, e Juliana Miraldi. O percurso ocupa 14 salas e reúne mais de 70 obras, enquanto cerca de 40 trabalhos são projetados em 360 graus.
A seleção também procura trazer ao público trabalhos menos conhecidos e obras que dificilmente podem ser vistas presencialmente por estarem em espaços de acesso restrito.
“É uma exposição pensada de uma maneira democrática em essência, com obras que dificilmente são vistas, porque estão em espaços inacessíveis”, afirma Juliana.
Segundo a curadora, o projeto foi concebido tanto para pessoas familiarizadas com a produção da artista quanto para visitantes que terão ali seu primeiro contato com Tarsila.
Linguagem digital como apoio

Exposição foi pensada para receber famílias, crianças e jovens
Por trás das projeções existe também um esforço para separar a linguagem digital utilizada na exposição da geração automatizada de imagens.
Segundo Juliana, mais de 32 artistas digitais participaram do desenvolvimento do conteúdo audiovisual. A produção não utilizou inteligência artificial para criar as animações.
A escolha, explica a curadora, permitiu trabalhar individualmente elementos como luz, textura e diferentes camadas visuais, preservando a coerência estética das obras que serviram de base para a experiência.
O projeto também foi pensado para receber famílias, crianças e jovens e alcançar pessoas que eventualmente nunca tenham visitado uma exposição dedicada à artista. A aposta é que a arte imersiva possa funcionar como porta de entrada para repertórios artísticos mais amplos.
Arte e entretenimento
A expansão das exposições imersivas vem acompanhada de discussões sobre os limites entre arte, tecnologia e entretenimento. Para Juliana Miraldi, a resistência faz parte de um processo que historicamente acompanhou o surgimento de novos suportes.

Formato dialoga com a trajetória da artista
A fotografia e o cinema, por exemplo, também enfrentaram questionamentos antes de se consolidarem como linguagens artísticas.
Na avaliação da curadora, exposições imersivas ocupam justamente uma zona de contato entre arte, informação, comunicação e entretenimento.
A dimensão sensorial é central nessa estratégia. Som, movimento, projeções e aromas são utilizados para produzir envolvimento emocional com a obra — e não simplesmente reproduzir digitalmente aquilo que estaria em uma tela.
Para Paola do Amaral Montenegro, o formato dialoga particularmente com a trajetória de uma artista que, em sua época, esteve ligada às rupturas estéticas do modernismo brasileiro.
“A gente quis trazer alguma coisa diferente”, afirma. Para ela, celebrar os 140 anos de Tarsila por meio de uma exposição imersiva é uma maneira de colocá-la novamente “à frente do seu tempo”.
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