CRÉDITO

Santander passa a financiar até 90% do valor do imóvel

Por Redação - Em 15/05/2026 às 12:01 AM

As taxas praticadas pelo banco partem de 11,69% ao ano mais TR, podendo variar conforme análise de risco

O Santander elevou de 80% para até 90% o percentual máximo de financiamento imobiliário, movimento que reduz a entrada mínima potencial de compradores de 20% para 10% do valor do bem e amplia a competição no mercado de crédito habitacional privado. A nova condição começou a valer em maio, mas será aplicada de forma seletiva, conforme perfil do cliente, relacionamento bancário e características do imóvel.

Na prática, a mudança altera significativamente a conta para quem busca a casa própria. Em um imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, a entrada pode cair de R$ 60 mil para R$ 30 mil, liberando capital para famílias com capacidade de pagamento mensal, mas dificuldade de formar poupança inicial.

As taxas praticadas pelo banco partem de 11,69% ao ano mais TR, podendo variar conforme análise de risco. Apesar do acesso facilitado, especialistas alertam que financiar uma parcela maior do imóvel também amplia o custo total da operação ao longo dos anos, elevando o volume de juros pagos.

A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) destaca que a regulamentação já permite operações com LTV (relação entre valor financiado e valor do imóvel) de até 90% em determinadas modalidades, embora o mercado opere, em média, próximo de 60%. Isso indica que operações mais agressivas devem continuar concentradas em clientes de menor risco e melhor score bancário.

Entre os grandes bancos, o movimento coloca pressão competitiva sobre concorrentes. Itaú e Banco do Brasil seguem oficialmente com limite de até 80% nas linhas tradicionais, enquanto o Bradesco também mantém esse patamar como padrão, ainda que possa flexibilizar em casos específicos.

A estratégia surge em meio à expectativa de flexibilização gradual do crédito após cortes na Selic, mas especialistas lembram que o financiamento imobiliário depende mais dos juros de longo prazo — ainda em torno de 13,6% a 13,7% ao ano — do que apenas da taxa básica. Mesmo assim, ao reduzir a barreira da entrada, o Santander pode impulsionar tanto compradores de primeira viagem quanto investidores em busca de alavancagem patrimonial.

Para o setor, a medida pode inaugurar uma nova fase de disputa por clientes de maior qualidade de crédito, reforçando o relacionamento bancário como fator decisivo para acessar condições mais vantajosas em um mercado ainda marcado por juros elevados.

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