ESTUDO DO MTUR

Setor de eventos retoma expansão e acelera nova fase do turismo no Brasil

Por Marcelo Cabral - Em 16/06/2026 às 1:52 PM

A retomada do turismo no Brasil vai além do fluxo de visitantes. Ela passa, sobretudo, pela reativação de uma engrenagem silenciosa – e altamente estratégica: a indústria de eventos. O setor volta a ocupar papel estratégico na economia nacional, especialmente por causa dos efeitos gerados pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).

Centro de Eventos do Ceará vem registrando números elevados                  Foto: Douglas Filho/Portal IN 

Dados recentes dos Anuários Estatísticos do Turismo indicam que o País não apenas recuperou o ritmo pré-pandemia, como avançou em relevância global. O número de eventos internacionais realizados em território nacional saltou de apenas quatro em 2021 para 234 em 2024, superando os níveis registrados antes da crise sanitária.

O levantamento do Ministério do Turismo (MTur) revela que movimento reposiciona o Brasil no cenário internacional. O País subiu dez posições no ranking da International Congress and Convention Association (ICCA), alcançando o 15º lugar e mantendo a liderança na América do Sul. Mais do que volume, o avanço reflete uma mudança estrutural: a ampliação da capacidade de atrair, organizar e operar eventos de grande porte.

Esse crescimento também se distribui territorialmente. O número de cidades brasileiras inseridas no circuito global de eventos passou de 27 para mais de 40 em apenas dois anos, indicando uma descentralização que amplia o impacto econômico da atividade. E Fortaleza ocupa posição de destaque nas regiões Norte e Nordeste nesse segmento, devido ao Centro de Eventos do Ceará (CEC).

Capacidade operacional elevada

A recuperação da cadeia produtiva acompanha essa trajetória. O número de empresas organizadoras cadastradas praticamente dobrou em relação ao período pré-pandemia, enquanto o segmento de infraestrutura reforçou sua capacidade operacional, sinalizando um mercado mais robusto e preparado.

O reflexo direto de toda essa evolução, aparece de forma relevante no turismo internacional. O Brasil voltou a atrair visitantes estrangeiros em escala crescente, atingindo 6,77 milhões em 2024 – o maior volume após a pandemia. Ao mesmo tempo, os desembarques internacionais nos aeroportos registraram uma expansão significativa.

Para a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape), os resultados evidenciam não apenas a retomada, mas a resiliência do setor. “O programa foi criado para enfrentar uma situação excepcional. Os números mostram que as empresas conseguiram manter suas atividades, preservar empregos e retomar investimentos de forma rápida, como havíamos previsto. Hoje vemos os efeitos desse processo na recuperação dos eventos, do turismo e de toda a cadeia econômica associada ao setor”, afirma Doreni Caramori Júnior, presidente da entidade.

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