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Morre Chico Lopes, economista que criou o Copom e ajudou a consolidar o Plano Real

Por REDAÇÃO - Em 08/05/2026 às 1:07 PM

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Economista teve papel decisivo na modernização da política monetária brasileira e na consolidação do Plano Real — Foto: Banco Central/divulgação

O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido nacionalmente como Chico Lopes, morreu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro, aos 80 anos. Ex-presidente interino do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ele ficou marcado por sua atuação na estabilização da economia brasileira e pela criação do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável pela definição da taxa básica de juros do País.

Chico Lopes estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo. A causa da morte não foi divulgada. Em nota, a família destacou a trajetória do economista como uma das mais relevantes do pensamento econômico brasileiro.

“Com atuação relevante na construção e no debate da política econômica nacional, Chico Lopes deixa uma contribuição importante para o desenvolvimento do país, sendo reconhecido por sua inteligência, firmeza intelectual e dedicação ao Brasil ao longo de décadas de trabalho”, diz trecho do comunicado.

Trajetória

Formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutor pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Chico Lopes também teve trajetória acadêmica como professor da PUC-Rio e da Universidade de Brasília (UnB).

Além da atuação no Ministério da Fazenda e no Banco Central, o economista participou de discussões de importantes planos de combate à inflação nas décadas de 1980 e 1990, incluindo os planos Cruzado e Bresser, além de colaborar na consolidação do Plano Real.

No Banco Central, comandou a instituição interinamente entre janeiro e fevereiro de 1999, período marcado pela transição do regime de câmbio administrado para o câmbio flutuante no Brasil, em meio a uma forte crise cambial.

O BC destacou que a contribuição “mais duradoura” do economista foi justamente a criação do Copom, mecanismo considerado essencial para dar previsibilidade e rigor técnico à política monetária brasileira.

“Acredito que a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do Real, para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária. Eu dizia que era preciso ter um ritual e que a reunião para definir a taxa de juros deveria ser gravada”, afirmou Chico Lopes em depoimento autobiográfico publicado pelo Banco Central em 2019.

Em nota de pesar, o Banco Central afirmou que o economista “marcou a história da estabilização econômica brasileira” e deixou como legado “inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país”.

O velório será realizado neste sábado (9), no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia terá início às 13h, com cremação prevista para as 16h.

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