Meio Ambiente
Justiça determina paralisação imediata das operações da Vale em Ouro Preto após colapso de estrutura
Por Suzete Nocrato - Em 09/02/2026 às 10:06 AM

MPMG denuncia falhas no sistema de drenagem e pelo uso inadequado da cava. Foto: Divulgaçõ/MPMG
A Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação imediata de todas as operações minerárias da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, localizado em Ouro Preto (MG). A decisão permanecerá em vigor até que seja tecnicamente comprovada a estabilidade e a segurança de todas as estruturas do empreendimento. A medida foi assinada na sexta-feira e atende parcialmente a um pedido apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pelo Estado de Minas Gerais.
A ação civil pública foi proposta após o rompimento da estrutura conhecida como Cava Área 18, ocorrido em 25 de janeiro de 2026. Segundo o MPMG e o Estado, o colapso “resultou no extravasamento de cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos, atingindo áreas operacionais, propriedades de terceiros e cursos d’água, como o córrego Água Santa e o Rio Maranhão, inseridos na bacia do Paraopeba“.
De acordo com a ação, o impacto ambiental do evento teria sido agravado por falhas no sistema de drenagem e pelo uso inadequado da cava como reservatório hídrico e de rejeitos, o que ampliou os danos causados pelo rompimento da estrutura.
Falhas de protocolo
O Ministério Público e o Estado também apontam falhas no protocolo de comunicação da mineradora. Conforme relatado, a Vale teria informado oficialmente o desastre ao Núcleo de Emergência Ambiental apenas mais de dez horas após o rompimento, circunstância que, segundo os autores da ação, teria prejudicado a atuação tempestiva dos órgãos públicos.
Em nota oficial, a Vale afirmou que suspendeu as operações nas unidades de Fábrica, em Ouro Preto (MG), e de Viga, em Congonhas (MG), no dia 26 de janeiro. A empresa reiterou seu compromisso com a segurança das pessoas e de suas operações e declarou que as barragens da região “seguem com condições de estabilidade e segurança inalteradas, monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana“.
A mineradora destacou ainda que irá se manifestar “tempestivamente” sobre as ações exigidas pela Justiça, afirmando que continuará “colaborando integralmente com as autoridades competentes e prestando todos os esclarecimentos necessários“.
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